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domingo, 21 de março de 2010

A Justiça no caso Nardoni

Amanhã, depois de dois anos após a morte de Isabella Nardoni, o casal acusado de matá-la pode ser considerado culpado no júri e, finalmente, cair no esquecimento da mídia. Durante essa semana foram divulgadas as correspondências que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá trocam entre si, cada um em sua detenção.

São cartas um tanto infantilizadas, com cada um dizendo amar o outro, perguntando da rotina diária dentro do presídio. Cartas, afinal, que não deveriam ter sido divulgadas ao público, simplesmente por seu conteúdo ser particular. A correspondência entre os dois serve apenas para ajudar no julgamento do casal, mas a mídia tem desses exageros.

Exageros que também são cometidos por pessoas: na internet, é fácil ler adjetivos como "monstros" sendo relacionados ao casal. Tanto a mídia como as pessoas têm o direito a esse tipo de reação. São passionais e um caso dessa magnitude mexe com nossos sentimentos humanos, mas a Justiça tem o dever de ser dissociada de qualquer ato passional.

Por não ser passional, talvez daí advém, justamente, o fato da instituição jurídica cair em descrédito na concepção da sociedade. O cidadão deseja uma instituição que o represente, e ao ver a sua passionalidade tolhida, sente falta de representatividade e descrédito pela instituição. Além disso, espanta ao cidadão a demora para definir-se algo no caso.

Por permitir ampla defesa e não ser passional, a Justiça pode até entrar em descrédito, mas é em momentos como o de amanhã que o cidadão médio sente-se "vingado" e acredita na Justiça. A democracia é árdua e exige instituições fortes, mesmo que para isso seja necessário um trabalho de conscientização.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sarney

Ontem Pedro Simon (PMDB - RS) foi duramente atacado e criticado. Renan Calheiros (PMDB - AL), entre outras críticas, chegou a acusá-lo de incoerência; Fernando Collor de Mello (PTB - AL), além de afirmar que Simon seria um político magoado desde 1986, na época de Tancredo, disse também para Simon engolir suas palavras antes de pronunciar o nome Collor. Entre as acusações dos senadores, sobrou até a acusação de que Simon estaria fazendo nada com relação ao próprio estado, cheio com os escândalos de Yeda Crusius (PSDB - RS). Tudo isso porque Simon se pronunciou favorável à renúncia de Sarney.

Oras, a tropa de choque do Sarney conseguiu o seu intuito: além de silenciar o discurso de Simon, que se viu obrigado a passar a se defender, devido às acusações, desviou o foco da imprensa, que, ao invés de noticiar algo como "Simon pede a renúncia de Sarney", teve de noticiar a celeuma provocada pelo discurso.Que Deus tenha piedade de nós.

domingo, 26 de julho de 2009

Democracia

Devido ao caso de Honduras e a seu golpe militar, ultimamente tem sido comentado sobre a importância da democracia e liberdade, duas palavras mágicas que povoam o imaginário popular como algo "do bem". A democracia, como "todos" aprendemos, é um conceito grego que vem de demos (povo) e kratia (poder), "governo do povo". Muito bonito e didático, a ponto da democracia, no âmbito político, equivaler-se ao conceito de liberdade.
Oras, estimado leitor, já na Grécia antiga a democracia não representava a liberdade, e sim a exclusão das mulheres e escravos da política. Mas hoje em dia é tudo diferente, não? Não. A democracia torna-nos livres, sim, mas livres para consumir, escolher entre este ou aquele produto, alienar-nos. Não à toa, o sistema democrático foi o grande "eleito" do capital internacional para representar seus interesses.
A democracia, ao nos forçar optar entre este ou aquele representante, já nos exclui a opção de não sermos representados. Obrigatoriamente temos de ser representados, temos de escolher um político como escolhemos um tomate na feira e este político escolhido, seja ele qual for, atuará de acordo com os interesses da democracia, afinal, foi através dela que ele conseguiu seu poder e é através dela que espera perpetuá-lo. Mas, afinal, quais são esses interesses da democracia que todo e qualquer político eleito democraticamente deseja perpetuar?
O principal desejo da democracia é o da liberdade para consumo. Todos são livres para consumir, escolher entre um produto e outro, assim como pode ser escolhido o político. Portanto, a democracia oferta uma falsa liberdade, a de consumo, e, com isso, reduz o embate político, que se atém à questão de elevar o poder aquisitivo das mais baixas classes sociais. Com tudo isso, o cidadão deixa de ser cidadão, alguém com capacidade de questionar sua organização política, social, para tornar-se um mero consumidor, alguém cuja única preocupação é a de eleger o sujeito que lhe dará maior acesso aos bens de consumo. As ruas, ao invés de serem locais públicos para integração social, não passam de centros para o consumidor escolher seus produtos.
A democracia, ao nos ofertar uma falsa liberdade, nada mais faz que perpetuar o consumismo, deixando-nos cada vez mais alienados de nós mesmos, pois saboreamos tal liberdade como se fosse a verdadeira.