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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O heroísmo nos tempos de consumo

Assistindo à novela "Viver a Vida", da Rede Globo, podem ser notados vários padrões ideológicos que permeiam a nossa sociedade, e um deles é sobre como anda nossa concepção de heroísmo. No final de cada capítulo, há relatos de pessoas reais. Tais relatos tentam servir como "exemplo de superação", um modelo a ser seguido. Neles, geralmente uma pessoa conta sobre um momento difícil em sua vida e como conseguiu superá-lo. Trata-se, obviamente, de dar um verniz de heroísmo a pessoas do cotidiano.

A novela, ao demonstrar alguém que superou dificuldades para participar de nossa sociedade, faz de tal pessoa um herói e, ao demonstrar que é herói aquele que consegue interagir socialmente, induz o telespectador a tratar a sociedade como algo sem falhas, abençoado por Deus e bonito por natureza. Fica no inconsciente, então, a ideia de que o herói é aquele que atingiu a satisfação por ser mais um sujeito socialmente aceito.

Oras, caro leitor, o modelo de herói típico é exatamente o oposto. O herói tradicional, mítico, é aquele que justamente abandona a sociedade de alguma maneira, passa por provações e retorna trazendo um conhecimento novo. Exemplos não faltam: Moisés saiu da sua comunidade para subir à montanha e voltar com os dez mandamentos; Jesus Cristo teve de ir ao deserto, ser tentado pelo demônio para voltar e por aí em diante. O herói mítico é aquele que transforma a sociedade através de um conhecimento alheio a ela.

Com o herói de "Viver a Vida", ocorre justamente o contrário: na ideologia da novela, o sujeito deve transformar-se para poder conviver satisfatoriamente. Não é o sujeito que transforma a sociedade, e sim esta que o transforma. O heroísmo, nos tempos de consumo, é poder consumir como os outros. E assim, a sociedade não serve o homem: o homem serve à sociedade.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O clube, o Estado e o produto

Todo o imbróglio Google x China, no qual o Google anunciou inclusive deixar o país, caso continuasse a sofrer interferência e censura do governo chinês, faz-nos pensar, como bem lembra o amigo Alexandre, de que a empresa parece agir como um Estado. Fato é que a China quer interferir na autonomia da empresa e vice-versa.

Se tivermos em mente a concepção do Estado como a de um governo que legisla, julga e executa, o Google aparenta ter desenvolvido status de Estado. Ao ver a sua "legislação" (liberdade de conteúdo) sendo burlada pelo governo chinês, a empresa julga e executa como medida cabível a de retirar-se da República Popular da China. A empresa, enfim, parece assemelhar-se a um Estado.

Essa aproximação torna-se mais latente se pensarmos no presidente como um produto midiático, pronto a ser consumido. A campanha presidencial de Barack Obama foi reconhecida no Cannes Lions, ganhando os prêmios de "Titanium Grand Prix" e "Integrated Grand Prix". Lula é outro produto midiático, com filme e tudo mais para ser consumido.

A empresa como Estado e o presidente como produto estão interligados e são possíveis, basicamente, por vivermos numa sociedade consumista na qual tudo possui um valor de mercado - e a função da crítica torna-se atribuir um valor, ao invés de questionar tal valor.

As notícias, vindas das mais variadas mídias, tem, em tal sociedade, o dever de digerir o fato em produto, para que o consumidor decida se o consome ou não. A ideia de vivermos num mundo de superinformação, nada mais é, a ideia de sermos empurrados sistematicamente a consumir alguém ou algo, seja ideologia, filme, música, série, fato ou Estado.

Talvez, a grande sacada da sociedade de consumo - e o motivo dela perdurar de maneira cada vez mais vigorosa - seja justamente sua capacidade de transformar qualquer coisa como material de consumo. Os materiais de consumo são tantos e tão variados, que até a ideologia anticonsumista acaba sendo consumida: o filme clube da luta - possuidor de uma mensagem veementemente anticonsumista - é consumido em edição de luxo. Sinal dos tempos.




domingo, 6 de dezembro de 2009

Fluminense como paradigma da redenção cristã

O Fluminense garantiu hoje, após empate com o Coritiba, sua permanência na série A do Campeonato Brasileiro de 2010. Depois de uma longa estadia na última posição do Campeonato e, em determinado momento, praticamente sem chances matemáticas de se safar do rebaixamento, o time das Laranjeiras começou uma operação digna de um milagre.

Alternando-se entre jogos da Copa Sul-Americana e do Brasileirão, o Fluminense passou a desempenhar uma série invicta e a realizar grandes apresentações. O que mais chamou a atenção foi a simpatia com que o time acabou sendo acolhido por outras torcidas. Até flamenguistas declararam-se torcedores do rival.

Mais do que gostar do bom futebol apresentado pelo Fluminense, o motivo para o interesse dos torcedores de outros times advém das condições nas quais o resultado veio. O Flu conquistou o seu lugar no coração de todos por representar o modelo típico da redenção cristã.

Dentro da mitologia do cristianismo (e talvez a figura mais representativa dela) está a do sujeito em busca de redenção, aquele o qual após pecar, descobre a Palavra e é convertido. Santo Agostinho e São Paulo, duas das figuras máximas cristãs, eram pecadores que foram convertidos em busca de redenção.

E aí entra o futebol. O Fluminense, na zona de rebaixamento, era o exemplar do pecador em estado de desgraça. Perdia jogos e seus jogadores eram desacreditados. Mas, então, como o apóstolo da Palavra, chega Cuca e, na tentativa de já preparar o time para a série B, começa a eliminar jogadores mais antigos, como o zagueiro Luiz Alberto e o goleiro Fernando Henrique. Tal medida é a do cristão expiando seus pecados para se converter à vida santa. E hoje, enfim, o Fluminense é convertido e segue na série A do Campeonato Brasileiro.

Portanto, é atuando como o paradigma da redenção cristã dentro do nosso inconsciente que o Fluminense angaria a simpatia dos diversos torcedores do Brasil. Ano que vem tudo volta ao normal.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Futebol

A rede Globo de televisão, nesta semana, propôs que a fórmula do campeonato brasileiro voltasse a ser através do mata mata. A alegação é a baixa audiência advinda ultimamente do produto futebol para a televisão. Em tese, um campeonato com quartas-de-final, semi-final e final teria mais ibope e seria mais rentável. Isso, em tese.

Essa queda de audiência acaba com um velho mito, o de que o Brasil é o país do futebol. Não, não o somos. O brasileiro médio acompanha às vezes o seu time, dificilmente assiste a um jogo que não lhe interessa diretamente e pouco se interessa pela história de seu clube.

Como são-paulino, raras vezes dialoguei com alguém que soubesse quem foi Friedenreich, Canhoteiro, Rui, Bauer ou Noronha. O desinteresse pela história do futebol é grande e pertencente a todos os times. Os diálogos de futebol nas padarias e botecos é supérfluo, a conversa não flui e fica focada mais nas brincadeiras e gozações de um time com o outro do que sobre o futebol em si.

Assim, parece que o público consumidor do esporte se restringe a dois tipos: o da torcida organizada, vivendo (e morrendo) em função de seu clube, e o da burguesia, interessada quando o time vai bem e servindo para lotar os caríssimos jogos da seleção brasileira.

O Brasil, na verdade, é o país da novela. Não à toa, a maior rede televisiva do país coloca novelas às 18h, 19h e 20h, fora o vale a pena ver de novo. Futebol, só de quarta e domingo.

domingo, 6 de setembro de 2009

Conclusão: Da atual música produzida e consumida

Resumindo a primeira parte desse texto, em linhas gerais, acredito não haver nenhuma prova cabal de que a qualidade da música de hoje é inferior à das décadas anteriores. As mudanças as quais mencionei fizeram com que a nossa percepção musical ficasse diferente, além da própria música. Mas não é pelo fato da música ficar diferente, adotar uma nova estética, que faz com que a qualidade musical necessariamente fique inferior.

Há aqueles que ainda se apegam a um conceito de estética e percepção musical antigo, e esses sempre falarão que a música atual sofreu uma piora. Com certeza há um desleixo técnico em muitos músicos contemporâneos, a ponto dos três acordes do punk soarem como luxo hoje, mas, convenhamos, a técnica não se reflete em qualidade estética.

Um exemplo claro disso é o Parnasianismo, corrente literária na qual o que importava era basicamente a técnica do poeta. O poeta parnasiano deleitava-se em usar as mais difíceis palavras e construções literárias, a ponto de pregar a arte pela arte e a tentativa de remover as sentimentalidades nos poemas. Pois bem, o Parnasianismo, como corrente literária, ficou em voga por algumas décadas e hoje em dia não passa de mera curiosidade histórica para a maioria dos leitores. Isso porque a nossa concepção estética mudou drasticamente a ponto do Parnasianismo não fazer tanto sentido assim.

Com a música, acontece a mesma coisa. Estamos em plena modificação dos nossos valores e muita coisa vai mudar em nosso gosto. A grande diferença de hoje para as décadas passadas é cada vez mais a liberdade para gravar música e divulgá-la, diminuindo em muito a dependência do artista em relação à sua gravadora. Gravar música usando uma nota, hoje, é possível. Se a gravadora recriminar o artista por tal gravação, basta gravar num estúdio caseiro e disponibilizá-lo na internet. Inclusive, a banda White Stripes chegou a fazer um show somente com uma nota (!)



Assim, com a liberdade artística ampliada, a música está se transformando e sonoridades nunca antes gravadas estão sendo divulgadas. Isso, com certeza, exige uma nova percepção do conceito de música e um certo desapego aos valores estéticos tradicionais. O próximo passo do que vai acontecer com as gravadoras e como a música vai ser produzida foi dado pela banda Radiohead, ao lançar o disco "In Rainbows". Cada consumidor podia ir no site deles e pagar o valor que quisesse pelo download do álbum. Isso faz com que o consumidor possa atribuir diretamente o valor da música e interferir, então, no processo de criação do artista. Se isso vai vingar ou quais os seus desdobramentos, só o futuro dirá.



domingo, 30 de agosto de 2009

Da atual música produzida e consumida

Muitas vezes, quando converso sobre música, vejo as pessoas elogiarem determinada década e elege-la como “a melhor década da música”. Geralmente essa frase vem junta de outra, mais forte: “nunca mais vai haver músicas tão boas como antes”. Eu sou pessimista por natureza, mas, devo confessar, com relação à música sou muito otimista. Acredito estarmos numa grande fase musical e o futuro é mais promissor ainda. O que acontece, creio eu, é uma mudança generalizada no mercado fonográfico, que faz com que o consumidor sinta esse “vazio musical” a ponto de eleger outra década como a melhor.

Por exemplo, o primeiro ponto a mudar drasticamente a relação entre consumidor e música é que hoje em dia qualquer um escuta qualquer música de qualquer jeito. Atualmente, o sujeito escuta música no seu mp3 player, no youtube, na sua rádio online. Não existe mais aquela necessidade de esperar o lançamento do disco, ir à loja, comprá-lo. Numa sociedade de consumo, a partir do momento em que não é mais necessário gastar para consumir, o valor do produto consumido diminui. Assim, pela facilidade de adquirir a música, esta perde parte de sua qualidade musical aos ouvidos do consumidor, pois ele não teve dificuldade alguma para usufrui-la.

Outro ponto a mudar drasticamente, além da forma como a música é consumida, é a forma como ela é produzida. Antes o artista necessariamente sofria para poder entrar em um estúdio e conseguir gravar algo. Hoje, com o barateamento da tecnologia, é muito mais fácil produzir qualquer coisa. Aí então aumenta exponencialmente o número de gente produzindo música, havendo maior divisão de gosto e aumentando o questionamento sobre a qualidade de determinada música. Unanimidade, hoje, é algo cada vez mais raro.

A percepção do ouvinte/consumidor perante a música é mudada também pela sua divulgação e marketing. Antigamente, para ouvir o lançamento de determinado artista, era necessário esperar tocar na rádio, aguardar o videoclipe passar na TV. Eram poucos os meios de comunicação divulgando poucos artistas. Os ouvintes/consumidores ficavam nas mãos desses poucos meios, fazendo com que a música transmitida por eles parecesse de maior qualidade do que a que realmente era, se comparado ao atual cenário, com inúmeras fontes de divulgação para inúmeras bandas.

Por hoje é só, antes que me prolongue demais. Semana que vem chego à conclusão desse texto, mais um de meus pitacos pseudo-filosóficos.

domingo, 23 de agosto de 2009

South Park


Fiz uma crítica ao desenho "Os Simpsons" em um outro texto meu. Nele, eu chegava à conclusão de que o referido desenho, por meio de uma crítica à sociedade norte-americana leve e descompromissada, acaba ansiando pelo status quo social. Todas as instituições são agredidas, mas, no final, sempre a instituição "Família" é preservada. Além do mais, posso até estender meu comentário aqui afirmando que "Os Simpsons" carrega um pensamento burguês neo-liberal; personagens como Lisa e Margie são bem sucedidas, apesar do constante obstáculo ao seu sucesso imposto pelas instituições. Assim, sob a perspectiva do desenho, cada cidadão é capaz de desenvolver sua vida social satisfatoriamente, por meio de méritos próprios, independente da crise institucional generalizada a qual o personagem possa se achar.

Agora, chega de Simpsons, pois é a vez de analisar outro desenho: "South Park". Esse desenho, considerado mais escatológico, ácido e grosseiro, é também um desenho mais crítico, se comparado aos Simpsons. Não que South Park seja um primor de crítica ao atual american way of life, mas o desenho é mais niilista. Nele, nenhuma instituição resta de pé, e todas, inclusive a família, são sistematicamente destruídas a cada episódio. Não é ressaltado nenhum mérito pessoal que qualquer personagem possa ter, e todas as correntes ideológicas são criticadas. O menino judeu, o gordo, o pobre, o classe média, o rico, o deficiente, enfim, todos, possuem os mesmos problemas de se viver numa sociedade medíocre, e não há méritos individuais que os possam salvar.

South Park aborda questões espinhosas: racismo, sexo, educação e mídia estão no cerne da animação. Além desse ponto, o desenho chega a discutir o próprio formato do discurso, quando aborda a loucura a qual a comunidade norte-americana está chegando ao se importar tanto com o politicamente correto. Definitivamente, South Park não tem a intenção de ser artístico ou a preocupação de fazer uma crítica séria e embasada; é um desenho niilista, politicamente incorreto e, por isso, sua crítica ao status quo surte mais efeito.

domingo, 26 de julho de 2009

Democracia

Devido ao caso de Honduras e a seu golpe militar, ultimamente tem sido comentado sobre a importância da democracia e liberdade, duas palavras mágicas que povoam o imaginário popular como algo "do bem". A democracia, como "todos" aprendemos, é um conceito grego que vem de demos (povo) e kratia (poder), "governo do povo". Muito bonito e didático, a ponto da democracia, no âmbito político, equivaler-se ao conceito de liberdade.
Oras, estimado leitor, já na Grécia antiga a democracia não representava a liberdade, e sim a exclusão das mulheres e escravos da política. Mas hoje em dia é tudo diferente, não? Não. A democracia torna-nos livres, sim, mas livres para consumir, escolher entre este ou aquele produto, alienar-nos. Não à toa, o sistema democrático foi o grande "eleito" do capital internacional para representar seus interesses.
A democracia, ao nos forçar optar entre este ou aquele representante, já nos exclui a opção de não sermos representados. Obrigatoriamente temos de ser representados, temos de escolher um político como escolhemos um tomate na feira e este político escolhido, seja ele qual for, atuará de acordo com os interesses da democracia, afinal, foi através dela que ele conseguiu seu poder e é através dela que espera perpetuá-lo. Mas, afinal, quais são esses interesses da democracia que todo e qualquer político eleito democraticamente deseja perpetuar?
O principal desejo da democracia é o da liberdade para consumo. Todos são livres para consumir, escolher entre um produto e outro, assim como pode ser escolhido o político. Portanto, a democracia oferta uma falsa liberdade, a de consumo, e, com isso, reduz o embate político, que se atém à questão de elevar o poder aquisitivo das mais baixas classes sociais. Com tudo isso, o cidadão deixa de ser cidadão, alguém com capacidade de questionar sua organização política, social, para tornar-se um mero consumidor, alguém cuja única preocupação é a de eleger o sujeito que lhe dará maior acesso aos bens de consumo. As ruas, ao invés de serem locais públicos para integração social, não passam de centros para o consumidor escolher seus produtos.
A democracia, ao nos ofertar uma falsa liberdade, nada mais faz que perpetuar o consumismo, deixando-nos cada vez mais alienados de nós mesmos, pois saboreamos tal liberdade como se fosse a verdadeira.

domingo, 19 de julho de 2009

Descanse em paz

Chega esse mês nas bancas a primeira parte da saga “Batman: descanse em paz”, saga essa que promete fazer com que o Bruce Wayne morra, deixando o manto do morcego para outro. Nos quadrinhos, é praxe a morte de um ou outro personagem, mas, quando esse personagem é um ícone como Batman, a coisa muda de figura.
Sempre foi consenso entre as editoras e os teóricos (incluindo aí Umberto Eco) a necessidade de se manter um certo status quo dos personagens, pois a inércia no status do personagem manteria a fácil identificação deste com o público e, portanto, a fácil assimilação de suas histórias.
A morte de Bruce não é algo de vanguarda ou uma tentativa da DC comics (editora do Batman) de se afastar do público. Pelo contrário: através de um acontecimento bombástico a editora pretende chamar a atenção do público e aproximá-lo do personagem. Até aí, nada de novo. O que é novo é o interesse do público por sucessivas mudanças nos personagens.
Antigamente era necessário manter o padrão do personagem e hoje parece ser necessário sempre alterar tal padrão, fazendo com que o herói sofra constantes crises. Se o status quo antigo era rígido, o status quo atual é movediço. Hoje, é necessário fazer com que a mudança efetivamente atue nas histórias em quadrinhos. Seria por que um status quo rígido já não garante a fácil identificação e assimilação de um público advindo de uma sociedade cuja tecitura das relações encontra-se movediça e sem padrões rigidamente estabelecidos?

domingo, 7 de junho de 2009

Um fantástico Airbus voador

Sinceramente? Estou cansado da imprensa noticiando o caso do Airbus, mas, o que me impressiona, é o fôlego que o caso tem perante o público. O telespectador parece carecer de tragédias, necessitando de uma cobertura diária e insaciável quando acontece algum desastre.
Muito meditei e a nenhuma conclusão chego. Por que o público precisa disso? Uma mera catarse não seria o ponto; penso que essas notícias servem mais para aliviar certas pressões sociais do que aliviar uma psique coletiva.
Explico: o noticiário, ao focar em um desastre, deixa de falar sobre crise econômica, crise política, crise de emprego etc. Ao noticiar um acidente, a imprensa ainda nos lembra que, apesar de todo e qualquer problema social que possa estar correndo, somos humanos, demasiadamente humanos, e todos, enfim, têm um fim. Podemos morrer, eis. Talvez seja esse o motivo de os desastres possuírem um fôlego perante o público. Ou vai ver, não é.