Mostrando postagens com marcador Quadrinhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Quadrinhos. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de julho de 2009

Descanse em paz

Chega esse mês nas bancas a primeira parte da saga “Batman: descanse em paz”, saga essa que promete fazer com que o Bruce Wayne morra, deixando o manto do morcego para outro. Nos quadrinhos, é praxe a morte de um ou outro personagem, mas, quando esse personagem é um ícone como Batman, a coisa muda de figura.
Sempre foi consenso entre as editoras e os teóricos (incluindo aí Umberto Eco) a necessidade de se manter um certo status quo dos personagens, pois a inércia no status do personagem manteria a fácil identificação deste com o público e, portanto, a fácil assimilação de suas histórias.
A morte de Bruce não é algo de vanguarda ou uma tentativa da DC comics (editora do Batman) de se afastar do público. Pelo contrário: através de um acontecimento bombástico a editora pretende chamar a atenção do público e aproximá-lo do personagem. Até aí, nada de novo. O que é novo é o interesse do público por sucessivas mudanças nos personagens.
Antigamente era necessário manter o padrão do personagem e hoje parece ser necessário sempre alterar tal padrão, fazendo com que o herói sofra constantes crises. Se o status quo antigo era rígido, o status quo atual é movediço. Hoje, é necessário fazer com que a mudança efetivamente atue nas histórias em quadrinhos. Seria por que um status quo rígido já não garante a fácil identificação e assimilação de um público advindo de uma sociedade cuja tecitura das relações encontra-se movediça e sem padrões rigidamente estabelecidos?

domingo, 24 de maio de 2009

Dez na área

O causo começou a ser noticiado nesta terça-feira: o governo do Estado de São Paulo encomendou cópias de um livro de Histórias em Quadrinhos chamado "Dez na área, um na banheira e ninguém no gol.". Um livro de 2002, versando sobre futebol, com desenhos e histórias de vários autores e prefácio de Tostão. Muito boas, por sinal, as narrativas gráficas desenvolvidas no livro. Uma ou outra contém palavrões e conteúdo sexista. Mas, até aí, nada demais.

O problema todo começa no fato de para quem o governo resolveu destinar o tal livro: alunos da 3ª série do ensino fundamental. Esses alunos, definitivamente, não possuem maturidade suficiente para entrar em contato com tal tipo de história. Descoberto o escândalo, o governo manda recolher os livros e a imprensa começa a questionar o fato de se o governo leu ou não o "Dez na área". De maneira preconceituosa, lia-se nos jornais que "HQ com palavrões vai para a escola", além da óbvia notícia com a afirmação "Gibi não é mais coisa só para criança".

Pois bem, coisas desse tipo acontecem com a imprensa. O pior foi, além disso, o ilustríssimo senhor José Serra, ao invés de pedir desculpa pelo erro, aumentá-lo, ao atacar, gratuitamente, o gibi. "Achei os desenhos horríveis", teria dito ele.Eis aí um governo, em plena tentativa de estimular a leitura, desestimulando-a duplamente: primeiro, ao indicar a obra para uma faixa etária indevida; depois, ao denegrir a obra. E o homem que lidera esse governo, no fundo de seu palácio, anseia governar o Brasil.