Mostrando postagens com marcador Eleicoes 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eleicoes 2010. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

As faces de Dilma

Dilma Roussef, enfim, apareceu sem peruca, que passou a usar devido às sessões de quimioterapia para combater o câncer linfático. O novo visual, cabelos curtos e escuros, com uma franjinha meio Beatles, dá um ar um tanto moderno, mas não é o visual que provavelmente os marqueteiros petistas desejam.


Dilma sempre possuiu um visual técnico, com roupa social e óculos a ocultar qualquer traço feminino contido nela. Roussef aparentava negar o próprio sexo a favor de um discurso (em tese) neutro, e, a qualquer traço de vaidade, como um batom mais chamativo, por exemplo, a neutralidade de seu discurso estaria comprometida.


A partir do momento no qual Dilma entra em uma disputa eleitoral, a sua imagem neutra teria de mudar e foi detectado, corretamente, a necessidade da candidata assumir o seu aspecto feminino. Demonstrar um pouco de vaidade, ressaltando um aspecto mais pessoal, faz com que o eleitor simpatize com essa pessoa que, afinal, é uma mulher, gente como a gente, não uma burocrata tecnicista a desferir palavras de como as coisas devem ser feitas.


Chegando as eleições, a possível imagem da Dilma pode ser a da guerreira a lutar contra um câncer, a de uma mulher feminina cuja peruca foi abandonada na tentativa de se despir do jargão técnico e burocrata. Vai ver, funciona.

domingo, 15 de novembro de 2009

Apagão 2009

O apagão do dia 10 de novembro foi deveras debatido durante a semana. Visando às eleições de 2010, a oposição tentou fazer da falta de energia um fato eminentemente político, enquanto a situação minimizou o causo. Edson Lobão, ministro de Minas e Energia, foi incisivo ao afastar qualquer carga de responsabilidade do governo, afirmando que o apagão foi provocado por condições meteorológicas.

A oposição não se deu por satisfeita e tentou, a todo custo, convocar a ministra da Casa Civil Dilma Roussef para se pronunciar a respeito, na condição de ex-ministra de Minas e Energia. A presidenciável Dilma, então, teve de sair do casulo e dar uma resposta à opinião pública, na qual afirmou que isso não é apagão não, minha filha, e sim blecaute. Pelo dicionário de Dilma, apagão e blecaute se diferenciam por aquele pressupor racionamento de energia e falta de planejamento, coisa que, no governo petista, não ocorreria.

A imprensa, esse maravilhoso órgão disposto a “repercutir” tudo, acabou descobrindo um dado curioso: até agosto de 2009, somente 38% do total da verba anual da Eletrobás foi utilizada, o menor valor dos últimos 10 anos. Onde estaria, então, o planejamento alardeado pelo governo petista? Talvez no mesmo lugar onde foi parar o planejamento tucano em 2001, quando as condições meteorológicas também serviram como desculpa para o apagão da época.

Essa verba não foi utilizada pela Eletrobás por falta de projetos que a utilizem. E esses projetos, então, porque não são feitos? Simples: desde seu primeiro mandato, o governo petista iniciou um processo de aparelhamento do Estado “nunca antes visto na história desse país”. Cargos com funções efetivamente técnicas foram dados a companheiros de longa data, cuja ajuda em campanha deveria ser recompensada. Sem técnicos para fazer projetos, as verbas ficam sem uso. O caso da pasta de Minas e Energia é um exemplo: Edson Lobão é advogado e jornalista, indicado por José Sarney. Um sujeito com essa formação não tem capacitação para coordenar um projeto em larga escala para a matriz energética brasileira. Mas tem capacitação para alavancar a aliança entre PT e PMDB para o ano que vem. Ao PT de Lula, isso basta.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sobre Lula ser Jesus...

Muita celeuma foi criada em torno da polêmica declaração do presidente Lula, a de que, para ter governabilidade no Brasil, até Jesus Cristo teria de se unir a Judas. Parte dessa celeuma é até fundada, afinal, qualquer cristão não gosta do nome de Jesus ser falado em vão, ainda mais em conjunto com o de Judas. Mas, a polêmica não devia ter ficado apenas no campo religioso.

Lula, ao se comparar com Jesus, mais uma vez demonstra arrogância e prepotência. O presidente se considera um messias iluminado, o ser posto na terra para salvar-nos. E esse complexo de messias não é culpa só de Lula, mas foi colocado em sua cabeça devido à esquerda míope dos anos setenta e oitenta, que via em sua figura a do Salvador a vingar o proletariado na luta de classes. Pois bem, Lula venceu as eleições, inclusive se reelegendo, e a luta de classes continua aí.

Entretanto, incauto leitor, não se atenha a essa minha crítica; José Dirceu, antigo homem forte do governo, saiu em defesa do Presidente, dizendo o seguinte: "Pouco importa o exemplo por ele utilizado e sim o fundamental que continha sua fala: o atual sistema político eleitoral e partidário brasileiro conduz necessariamente a governos de coalizão, nem sempre programáticos e muito menos ideológicos".

Eis aí, José Dirceu disse tudo. O governo Lula não é programático e muito menos ideológico. O PT, para se eleger em 2002, abdicou de toda a sua ideologia e traiu todos os seus partidários, entrando num esquema cada vez mais próximo ao daqueles partidos que sempre repudiava. Lula, ao se comparar com um Jesus unindo-se a Judas, demonstra um desprezo por sua aliança e um descaso com a opinião pública. A sua aliança deveria chiar.

Em tempo: Jesus Cristo nunca se uniria a Judas para assegurar a governabilidade no Brasil. Ele nunca pensou em governar, abdicando dos desejos fúteis de poder. Lula deve ter se esquecido que, no deserto, a segunda tentação de Jesus foi a promessa de poder proposta pelo diabo. E Cristo recusou.

domingo, 20 de setembro de 2009

Pré-sal


A camada de pré-sal é o novo mote da corrida presidencial 2010. O governo, ao alardear o petróleo em nosso litoral, não o faz visando o progresso de nosso país, mas sim, obviamente, contando com a eleição da senhora mãe do PAC, Dilma Rousseff. Dilma, ainda sem carisma suficiente para ganhar a eleição e sem nenhum feito memorável ao eleitor, aparece em todo anúncio favorável ao governo, e com o pré-sal não foi diferente.

Seja falando sobre como deveria funcionar o modelo regulatório para a exploração da camada de pré-sal do Brasil ou como tal modelo diminuirá nossas desigualdades sociais, Rousseff aparece na mídia como mãe do nosso petróleo. A grande discussão dos royalties é, na verdade, a discussão sobre qual fatia do eleitorado o PT e Dilma vão querer atingir.

Tradicionalmente o PT não tem no estado de São Paulo o seu grande reduto eleitoral nas corridas presidenciais. Lula ganhou suas duas eleições contando com menos votos do estado do que se esperaria e, provavelmente, ano que vem não será diferente. Com o atual modelo de royalties, os grandes favorecidos pelo pré-sal seriam os três estados do litoral do sudeste. O PT, sabedor do seu eleitorado, tenta fazer com que o dinheiro do petróleo seja distribuído entre ele, ignorando questões ambientais e o impacto social gerado dentro das cidades cujo litoral será explorado.

O governo de José Serra se mexe para fazer com que os royalties funcionem da atual maneira, deixando dinheiro, por sua vez, no estado de seu eleitor. Assim, mais uma briga política está armada e o eleitor vê a criação de mais uma estatal a custa de seu imposto. A exploração do petróleo será feita com o dinheiro do contribuinte e o pior: não há garantia alguma de qualquer lucro. Investiremos dinheiro agora para obtermos algo só por volta de 2015, e ainda por cima estamos aplicando em uma matriz energética cujo valor é incerto. O barril do petróleo, depois de chegar a 150 dólares, despencou para 30.

Enquanto investem nosso dinheiro no escuro, na África é encontrado o campo de Venus B-1, contendo bastante, bastante petróleo.