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domingo, 11 de julho de 2010

Histórias da Copa

A Copa de 2010 termina deixando saudade. A primeira Copa no continente africano marca uma melhoria no futebol (se comparado ao futebol de 2006), traz um bem-vindo campeão inédito e deixa histórias secundárias saborosas, a ponto de dividir o noticiário com os times e o futebol em si.
 
O primeiro fator secundário a chamar a atenção foram as vuvuzelas. Aquele barulho alto, contínuo e interminável, impossibilitando os jogadores a ouvirem seus técnicos, era chato, mas, no final das contas, foi bacana, por ser característico do país.
 
Não bastasse o barulho, apareceu a bola Jabulani para fazer história. Chamada de "estranha" e "sobrenatural", a bola acabou virando bordão e ganhou uma personalidade própria. Nunca antes uma bola fora tão comentada assim.

E o Maradona? O técnico dava beijo nos jogadores, ia de terno a pedido das filhas e fez promessa de ficar pelado em caso de vitória argentina no Mundial. Uma figuraça, divertido nas entrevistas e simpático dentro dos campos.

O polvo Paul virou mascote e vidente da Copa, deixando especialistas para trás na hora do bolão; ele acertou cem por cento dos seus palpites, enquanto Mick Jagger errou em cem por cento da sua torcida.

E, por fim, tivemos as musas do Mundial, desde as holandesas expulsas do estádio, à gloriosa Larissa Riquelme, com o seu celular insinuante e sua torcida cada vez ampliando, literalmente, o número de investidores na moça.

Essa Copa, sem dúvida, não se resumiu ao futebol, e deixa como lembrança o pitoresco e o lúdico. Serão quatro anos de sofrimento até 2014.

domingo, 4 de julho de 2010

Da queda do Brasil

    O Brasil saiu do Mundial 2010, mas a Copa continua. Eu havia me esquecido de como é ver todos pintados de verde amarelo, ouvir gritos femininos em jogos de futebol e apostar em bolão. É um barato esse negócio de gente que nem sabe nada de bola, de repente, exigir tal e qual jogador e se comover com a gorduchinha rolando. Pessoas berrando, gritando e tocando vuvuzela, na tentativa de, durante 90 minutos de jogo, demonstrar o seu patriotismo, tentar entender o jogo e ainda se divertir com tudo isso. Esse clima de Copa é sensacional.
    Confesso que, devido a esse clima todo, não pude realmente assistir a nenhum jogo. Óbvio, meus olhos estavam na tela, mas devido a todo o barulho e gritaria ao redor, não observei as posições dos jogadores, a qualidade dos passes, o tipo de finalização e compactação da equipe. Assisti, mas não vi. Sem problemas, a festa ao redor vale.
    E agora, depois que o Brasil saiu, vi a Globo massacrando o Dunga, vi jornalistas atacando Felipe Melo e vi, afinal, crianças chorando. Mas, sem todo o barulho de vuvuzela, além de assistir, poderei ver a Copa. Devo estar ficando ranzinza.

domingo, 13 de junho de 2010

Copa - primeiras impressões

Passados três dias de Copa do Mundo de Futebol do ano de dois mil e dez, o panorama que se segue, dentro de campo, é o de poucos gols (exceção à Alemanha), futebol mais ou menos e goleiros tomando frangos. Nenhum escrete (ainda) demonstrou bola para ser campeão e só dá para se animar a assistir os jogos de alguns grupos mais indefinidos. Das oitavas em diante o negócio toma mais corpo.

Fora dos gramados, há todo aquele papo de "festa africana", "dá-lhe Mandela" e "que beleza", do tipo "somos bonzinhos e estamos integrando a África ao mundo Ocidental". Mas, ao "integrar" a África, na real, estamos, como sempre, exportando um modelo de mercado que causa desigualdade social, explora o meio ambiente de forma insustentável e reduz a escolha humana a uma escolha de consumo. Que beleza.

domingo, 18 de abril de 2010

2010, ano de copa

O ano de 2006 prometia uma Copa do Mundo magnífica tecnicamente. Pelos clubes, o Barcelona vinha fazendo apresentações incríveis sob o comando de Ronaldinho Gaúcho e ditava o futebol ofensivo como tendência. Entre as seleções, o time português encontrava um bom futebol com Felipão; a seleção inglesa era dotada de um bom meio de campo, além de boas apresentações da Argentina. Isso tudo sem falar da seleção brasileira, a favorita.

Tudo muito interessante, excluindo-se o fato de que a seleção campeã da Eurocopa naquela época, a Grécia, não apresentava um futebol ofensivo como credencial, e a seleção campeã das Américas, o Brasil, contava com Parreira, um técnico burocrático que perdeu o controle da equipe na presença dos titulares Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo.

Apesar da promessa de bom mundial, o que se viu foi uma competição em que, afinal, o futebol defensivo da Itália acabou vencendo. Fora dos gramados, foi um mundial com grande importância política. A Alemanha pôde demonstrar-se como um país unido após a queda do muro de Berlim; sua torcida nunca foi tão calorosa, fazendo com que tal calor fosse transmitido a uma equipe pragmática, mas que, dentro de campo, fez valer a garra.

As similaridades de 2006 com 2010 são grandes: novamente temos um Barcelona que valoriza o futebol ofensivo e, mais do que tudo, há uma importância política no mundial. A África do Sul, dividida entre brancos e negros, tem a chance de apresentar união, calor e firmar a prática esportiva da Copa como um gesto político. Que tal gesto seja o da democracia e inclusão social.

terça-feira, 2 de março de 2010

Dunga na Copa


A Seleção brasileira fez hoje o seu último amistoso antes da Copa do Mundo da África do Sul; o time, sem Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho, nem de longe lembra aquela equipe designada para a Alemanha em 2006. Naquele ano, tínhamos um "quarteto mágico" e poucas dúvidas com relação a quem Parreira deveria convocar. Deu no que deu.

Após um fiasco monumental, a CBF se viu obrigada a reformular a equipe e, para isso, chamou um sujeito que até então nunca havia sido técnico na vida. Obviamente, Ricardo Teixeira, ao chamar Dunga, não tinha ideia do sucesso que este faria, mas, na época, pensava em dar uma resposta à mídia. A Seleção brasileira, considerada apática e cheia de estrelas, estaria com um técnico com garra e reconhecido como disciplinador: o próprio Romário afirma ter sido disciplinado pelo então capitão da equipe brasileira em 94. Com Dunga como técnico, deu no que deu.

A equipe, aos poucos, foi sendo montada com jogadores "operários", gente do estilo de Elano e Gilberto Silva, muitas vezes criticados, mas que ajudam no esquema tático como um todo. Agora, às vésperas da Copa, a mídia volta a pedir Ronaldinho Gaúcho e reclama da lateral esquerda da Seleção. Não vejo motivos para a volta do Ronaldinho: mesmo quando jogava bem no Barcelona, em seus tempos áureos, ele ia mal na Seleção. Não há motivos para crer que com apenas uma boa seqüência de jogos no Milan ele irá conseguir fazer o que não fez quando no time Catalão.

Já a lateral esquerda preocupa, mas tudo bem: que venha a Copa do Mundo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fluminense como paradigma da redenção cristã

O Fluminense garantiu hoje, após empate com o Coritiba, sua permanência na série A do Campeonato Brasileiro de 2010. Depois de uma longa estadia na última posição do Campeonato e, em determinado momento, praticamente sem chances matemáticas de se safar do rebaixamento, o time das Laranjeiras começou uma operação digna de um milagre.

Alternando-se entre jogos da Copa Sul-Americana e do Brasileirão, o Fluminense passou a desempenhar uma série invicta e a realizar grandes apresentações. O que mais chamou a atenção foi a simpatia com que o time acabou sendo acolhido por outras torcidas. Até flamenguistas declararam-se torcedores do rival.

Mais do que gostar do bom futebol apresentado pelo Fluminense, o motivo para o interesse dos torcedores de outros times advém das condições nas quais o resultado veio. O Flu conquistou o seu lugar no coração de todos por representar o modelo típico da redenção cristã.

Dentro da mitologia do cristianismo (e talvez a figura mais representativa dela) está a do sujeito em busca de redenção, aquele o qual após pecar, descobre a Palavra e é convertido. Santo Agostinho e São Paulo, duas das figuras máximas cristãs, eram pecadores que foram convertidos em busca de redenção.

E aí entra o futebol. O Fluminense, na zona de rebaixamento, era o exemplar do pecador em estado de desgraça. Perdia jogos e seus jogadores eram desacreditados. Mas, então, como o apóstolo da Palavra, chega Cuca e, na tentativa de já preparar o time para a série B, começa a eliminar jogadores mais antigos, como o zagueiro Luiz Alberto e o goleiro Fernando Henrique. Tal medida é a do cristão expiando seus pecados para se converter à vida santa. E hoje, enfim, o Fluminense é convertido e segue na série A do Campeonato Brasileiro.

Portanto, é atuando como o paradigma da redenção cristã dentro do nosso inconsciente que o Fluminense angaria a simpatia dos diversos torcedores do Brasil. Ano que vem tudo volta ao normal.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Futebol

A rede Globo de televisão, nesta semana, propôs que a fórmula do campeonato brasileiro voltasse a ser através do mata mata. A alegação é a baixa audiência advinda ultimamente do produto futebol para a televisão. Em tese, um campeonato com quartas-de-final, semi-final e final teria mais ibope e seria mais rentável. Isso, em tese.

Essa queda de audiência acaba com um velho mito, o de que o Brasil é o país do futebol. Não, não o somos. O brasileiro médio acompanha às vezes o seu time, dificilmente assiste a um jogo que não lhe interessa diretamente e pouco se interessa pela história de seu clube.

Como são-paulino, raras vezes dialoguei com alguém que soubesse quem foi Friedenreich, Canhoteiro, Rui, Bauer ou Noronha. O desinteresse pela história do futebol é grande e pertencente a todos os times. Os diálogos de futebol nas padarias e botecos é supérfluo, a conversa não flui e fica focada mais nas brincadeiras e gozações de um time com o outro do que sobre o futebol em si.

Assim, parece que o público consumidor do esporte se restringe a dois tipos: o da torcida organizada, vivendo (e morrendo) em função de seu clube, e o da burguesia, interessada quando o time vai bem e servindo para lotar os caríssimos jogos da seleção brasileira.

O Brasil, na verdade, é o país da novela. Não à toa, a maior rede televisiva do país coloca novelas às 18h, 19h e 20h, fora o vale a pena ver de novo. Futebol, só de quarta e domingo.

domingo, 31 de maio de 2009

Copa.

A FIFA, então, anunciou as 12 cidades que serão sedes para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Não desejo falar as obviedades mais óbvias, como, por exemplo, que toda essa grana poderia ser investida em outras coisas, que devemos observar o desvio de verba e (principalmente) o superfaturamento das obras. Não. A imprensa mais atenta e menos ufanista provavelmente falará sobre tudo isso e será ignorada pela grande opinião pública. A Copa ocorrerá de qualquer jeito e, ao que tudo indica, daquele jeito. Infelizmente.

Me atento aqui em outro aspecto: há ainda, no mundo inteiro, uma tentativa, por parte dos povos "civilizados", de "catequizar" outros povos. Os países desenvolvidos ainda insistem em homogeneizar a ideologia e cultura alheia. Essa Copa do Mundo é um exemplo: é sabido e vivido pelos brasileiros que o Brasil é extremamente carente em infraestrutura. Se a Copa será no Brasil, pois que a infraestrutura seja à brasileira; nada da FIFA vir aqui e dar pitacos, só liberando estádios após uma caríssima reforma.Respeitar a cultura alheia seria respeitar, inclusive, essa falta de infraestutura. Afinal, toda e qualquer construção acaba representando uma ideologia.