Mostrando postagens com marcador Midia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Midia. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de agosto de 2010

O homem Datena

Datena é contundente. Ao fazer uma enquete sobre quem acredita em Deus ou não e observar o número de mais de mil ateus, começa a disparar:

"Como nós temos mais de mil ateus? Aposto que muitos desses estão ligando da cadeia."

"Ateus são pessoas sem limites, por isso matam, cometem essas atrocidades. Pois elas acham que são seu próprio Deus."

"É só perguntar para esses bandidos que cometem essas barbaridades pra ver que eles não acreditam em Deus."

"Quem é ateu pode desligar a televisão, ou mudar de canal pois eu não faço questão nenhuma de que assistam o meu programa."

Não divagarei aqui sobre Datena, que é um sujeito pago para fazer polêmica e ser contundente. A questão das falas dele, excluídas as distorções, é sobre a função da religião no ethos da sociedade. É óbvio que nossa ética esteja interligada à nossa religião, visto que a fé e a crença condicionam a uma concepção de mundo e, tal concepção, vai exigir um certo tipo de padrão ético e crítico perante a realidade.

O problema da fala de Datena é expressar um pensamento muito popular, de que quem não possui religião não possui ética. Desse tipo de pensamento, muito comum, incide a ideia de que a única fonte ética válida é a religião. Assim, o humano estaria fadado a buscar qualquer solução baseado em religiões cujos preceitos datam de dois mil anos atrás. Isso, na verdade, reduz o campo da ética à mediocridade, não permitindo uma busca filosófica do princípio.

Tolhido de uma busca moral fora da fé, mistificando a ética dentro de si, o homem de Datena é um sujeito religioso, de boa fé e age sempre com correção. O seu único defeito seria o de ter uma curiosidade mórbida com crimes hediondos, e por isso ele assiste a um programa que acusa os ateus de bandidos.

domingo, 25 de julho de 2010

O Mundo

Ainda com saudades do polvo Paul, assisto a TV em busca de novidades. O Campeonato Brasileiro recomeçou, e nem ao menos me lembro do time titular do São Paulo no primeiro semestre; o goleiro Bruno está na cadeia, Cleo Pires posou nua e Mano Menezes assumiu o cargo de técnico da seleção brasileira de futebol.

As notícias e o mundo rodam, e eu destilaria um monte de opiniões sobre como todos esses fatos se encaixam na sociedade de consumo, e como todos estamos dispostos a consumir essas notícias, e como todos estão dispostos a ser consumidos, e como tudo são invólucros que nos tolhem de ter uma relação verdadeira com o mundo, mas hoje não.

Por hoje, respiremos, apenas.

domingo, 30 de maio de 2010

Lost


A série de TV estadunidense Lost acabou, após seis temporadas de mistérios, especulações e grande audiência. Fenômeno mundial, Lost funciona como um marco. Foi a primeira série a efetivamente ser discutida e pautada pela internet, justamente acompanhando a tendência televisa: o diálogo entre as várias mídias.

A televisão se vê agora em um caminho onde a interatividade deixa de ser simplesmente um espaço dado à fala do público, para ser uma forma do telespectador pautar o programa. Onde antes havia leitura de e-mail, ocorre agora a leitura do twitter. E mais: na televisão é transmitido o conteúdo feito pelo público, seja ele vídeo, texto ou foto.

Lost foi um fenômeno por ter fomentado discussões na internet, gerado jogos online (os quais contribuíram para se conhecer mais sobre a série), e garantir, enfim, que as teorias dos fãs crescessem mais e mais. O mais legal da série, afinal, era a discussão sobre ela, e Lost foi um marco por ter usado essa ferramenta de comunicação social que é a internet em prol de sua vitalidade. Vai deixar saudade.

domingo, 4 de abril de 2010

O homem que tudo tem

Transcrevo abaixo parte da notícia retirada do sítio do uol. A reportagem completa encontra-se aqui.

"O matemático russo Grigory Perelman, 44, considerado um dos maiores gênios vivos do mundo, declarou (...) que não tem interesse em receber o prêmio de US$ 1 milhão a que tem direito por ter resolvido a chamada Conjectura de Poincaré.
Em seu apartamento infestado de baratas em São Petersburgo, Perelman afirmou, sem abrir a porta: "tenho tudo o que quero", segundo informou o jornal britânico Daily Mail.
(...)
A vizinha Vera Petrovna afirmou ao jornal britânico que já esteve no flat do matemático. "Ele tem apenas uma mesa, um banquinho e uma cama com um lençol sujo que foi deixado ali pelos antigos donos - uns bêbados que venderam o apartamento para ele".
"Estamos tentando acabar com as baratas nesse quarteirão, mas elas se escondem na casa dele", acrescentou.
Esse não é o primeiro prêmio esnobado por Perelman. Há quatro anos, ele não apareceu para receber a medalha Fields da União Internacional de Matemática."

Caro leitor, há de se observar que a ótica da notícia - focada nas baratas do apartamento do matemático - deixa de fora, basicamente, o que mais me espantou: o fato de alguém afirmar ter tudo o que quer. E mais que isso: o matemático prova o que fala, ao esnobar o prêmio.

A notícia, a meu ver, deveria ser: "matemático diz ter tudo o que quer", mas, ao dar o enfoque nas baratas, o noticiário tenta desmerecer o discurso de Perelman. Para a mídia e sua ideologia, o matemático é um excêntrico por esnobar dinheiro, e por isso ela tenta desarticular sua fala.

São ressaltados todos os traços de "maluquice" presentes no sujeito: o fato dele não ter atendido à porta, a ideia de seu apartamento estar infestado de baratas e dele ter comprado o imóvel de bêbados. O primeiro ponto a ressaltar é que todo mundo tem o direito à privacidade, e o fato dele não ter atendido à mídia não quer dizer nada. O segundo ponto: como a matéria pode falar que o apartamento está infestado de baratas se o matemático declarou, sem abrir a porta, ter tudo o que quer? A reportagem nem sequer entrou no local e tentou defini-lo. Depois, fica-se sabendo de como a reportagem teve acesso a essa "informação": através de uma vizinha que falou coisas pesadíssimas sobre o matemático.

A mídia, afinal, conseguiu o seu intuito: encontrou falas para desabonar o discurso de Perelman e assim ele é visto como um doido que esnobou um prêmio polpudo. Isso simplesmente pelo matemático não partilhar de uma ideologia cujo dinheiro está acima de tudo. Uma pena. Adoraria ver uma matéria sobre como um homem afirma ter tudo e, ainda por cima, é um gênio matemático.

domingo, 21 de março de 2010

A Justiça no caso Nardoni

Amanhã, depois de dois anos após a morte de Isabella Nardoni, o casal acusado de matá-la pode ser considerado culpado no júri e, finalmente, cair no esquecimento da mídia. Durante essa semana foram divulgadas as correspondências que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá trocam entre si, cada um em sua detenção.

São cartas um tanto infantilizadas, com cada um dizendo amar o outro, perguntando da rotina diária dentro do presídio. Cartas, afinal, que não deveriam ter sido divulgadas ao público, simplesmente por seu conteúdo ser particular. A correspondência entre os dois serve apenas para ajudar no julgamento do casal, mas a mídia tem desses exageros.

Exageros que também são cometidos por pessoas: na internet, é fácil ler adjetivos como "monstros" sendo relacionados ao casal. Tanto a mídia como as pessoas têm o direito a esse tipo de reação. São passionais e um caso dessa magnitude mexe com nossos sentimentos humanos, mas a Justiça tem o dever de ser dissociada de qualquer ato passional.

Por não ser passional, talvez daí advém, justamente, o fato da instituição jurídica cair em descrédito na concepção da sociedade. O cidadão deseja uma instituição que o represente, e ao ver a sua passionalidade tolhida, sente falta de representatividade e descrédito pela instituição. Além disso, espanta ao cidadão a demora para definir-se algo no caso.

Por permitir ampla defesa e não ser passional, a Justiça pode até entrar em descrédito, mas é em momentos como o de amanhã que o cidadão médio sente-se "vingado" e acredita na Justiça. A democracia é árdua e exige instituições fortes, mesmo que para isso seja necessário um trabalho de conscientização.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Arruda preso


A cada notícia sobre o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, fica latente o desejo popular de retaliação ao político, atualmente sem partido. Responsável pelo mais novo mensalão e pelas cenas enojantes de políticos contado notas, o governador afastado, agora, parece não se encontrar bem de saúde.

Importante é notar o interesse de tal notícia. O público, sabedor que há de haver uma punição leve, anseia por Arruda ir de mal a pior. Nesse ínterim, o estado de saúde do governador serve como uma espécie de punição divina: há uma vontade de vê-lo chafurdando numa prisão pequena e sofrendo. Daí, advém a necessidade de se noticiar o inchaço dos pés de Arruda, que estariam "caminhando para uma trombose".

Obviamente, a mídia não divulga o estado de saúde muito pior da maioria dos detentos de nosso sistema carcerário. O governador afastado, preso e doente, é um caso raro e curioso, o qual o próprio público parece não acreditar e tem de observar diariamente para crer. Já sobre o nosso sistema carcerário, o público admite saber das suas reais situações, mas não deseja ver: a realidade, quando não é curiosa, é indiferente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O heroísmo nos tempos de consumo

Assistindo à novela "Viver a Vida", da Rede Globo, podem ser notados vários padrões ideológicos que permeiam a nossa sociedade, e um deles é sobre como anda nossa concepção de heroísmo. No final de cada capítulo, há relatos de pessoas reais. Tais relatos tentam servir como "exemplo de superação", um modelo a ser seguido. Neles, geralmente uma pessoa conta sobre um momento difícil em sua vida e como conseguiu superá-lo. Trata-se, obviamente, de dar um verniz de heroísmo a pessoas do cotidiano.

A novela, ao demonstrar alguém que superou dificuldades para participar de nossa sociedade, faz de tal pessoa um herói e, ao demonstrar que é herói aquele que consegue interagir socialmente, induz o telespectador a tratar a sociedade como algo sem falhas, abençoado por Deus e bonito por natureza. Fica no inconsciente, então, a ideia de que o herói é aquele que atingiu a satisfação por ser mais um sujeito socialmente aceito.

Oras, caro leitor, o modelo de herói típico é exatamente o oposto. O herói tradicional, mítico, é aquele que justamente abandona a sociedade de alguma maneira, passa por provações e retorna trazendo um conhecimento novo. Exemplos não faltam: Moisés saiu da sua comunidade para subir à montanha e voltar com os dez mandamentos; Jesus Cristo teve de ir ao deserto, ser tentado pelo demônio para voltar e por aí em diante. O herói mítico é aquele que transforma a sociedade através de um conhecimento alheio a ela.

Com o herói de "Viver a Vida", ocorre justamente o contrário: na ideologia da novela, o sujeito deve transformar-se para poder conviver satisfatoriamente. Não é o sujeito que transforma a sociedade, e sim esta que o transforma. O heroísmo, nos tempos de consumo, é poder consumir como os outros. E assim, a sociedade não serve o homem: o homem serve à sociedade.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O clube, o Estado e o produto

Todo o imbróglio Google x China, no qual o Google anunciou inclusive deixar o país, caso continuasse a sofrer interferência e censura do governo chinês, faz-nos pensar, como bem lembra o amigo Alexandre, de que a empresa parece agir como um Estado. Fato é que a China quer interferir na autonomia da empresa e vice-versa.

Se tivermos em mente a concepção do Estado como a de um governo que legisla, julga e executa, o Google aparenta ter desenvolvido status de Estado. Ao ver a sua "legislação" (liberdade de conteúdo) sendo burlada pelo governo chinês, a empresa julga e executa como medida cabível a de retirar-se da República Popular da China. A empresa, enfim, parece assemelhar-se a um Estado.

Essa aproximação torna-se mais latente se pensarmos no presidente como um produto midiático, pronto a ser consumido. A campanha presidencial de Barack Obama foi reconhecida no Cannes Lions, ganhando os prêmios de "Titanium Grand Prix" e "Integrated Grand Prix". Lula é outro produto midiático, com filme e tudo mais para ser consumido.

A empresa como Estado e o presidente como produto estão interligados e são possíveis, basicamente, por vivermos numa sociedade consumista na qual tudo possui um valor de mercado - e a função da crítica torna-se atribuir um valor, ao invés de questionar tal valor.

As notícias, vindas das mais variadas mídias, tem, em tal sociedade, o dever de digerir o fato em produto, para que o consumidor decida se o consome ou não. A ideia de vivermos num mundo de superinformação, nada mais é, a ideia de sermos empurrados sistematicamente a consumir alguém ou algo, seja ideologia, filme, música, série, fato ou Estado.

Talvez, a grande sacada da sociedade de consumo - e o motivo dela perdurar de maneira cada vez mais vigorosa - seja justamente sua capacidade de transformar qualquer coisa como material de consumo. Os materiais de consumo são tantos e tão variados, que até a ideologia anticonsumista acaba sendo consumida: o filme clube da luta - possuidor de uma mensagem veementemente anticonsumista - é consumido em edição de luxo. Sinal dos tempos.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Boris Casoy, jornalista




Boris Casoy é o caso de jornalista bem sucedido. Passou por várias emissoras de televisão, possui anos de experiência nas costas e, basicamente, representa a ideologia vigente no telejornalismo brasileiro. Dia desses, sem saber que o áudio de seu microfone vazava, Boris comentou, sobre uma matéria na qual apareciam dois garis desejando felicidades para 2010: "que merda, dois lixeiros desejando felicidades...do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo na escala do trabalho".

Eis aí: a fala de Boris é a de uma elite apegada aos bens materiais, julgando a ética de uma pessoa pelo seu trabalho. Esta elite acredita que, de alguma maneira, o trabalho e dinheiro que a pessoa possui define e limita a sua característica psicológica, ética e moral. É a maneira que tal elite encontra para legitimar a necessidade de bens de consumo e a busca incessante por capital.

O telejornalismo está nas mãos dessa elite e a maioria das produções culturais também. Boris simplesmente expôs a essência dessa ideologia, sempre camuflada e insistentemente martelada através de intervalos comerciais de trinta segundos que nos tentam impor a necessidade de participar de uma sociedade de consumo. É o mundo, e Boris, em si, é um joguete ideológico da elite consumista.

domingo, 23 de agosto de 2009

South Park


Fiz uma crítica ao desenho "Os Simpsons" em um outro texto meu. Nele, eu chegava à conclusão de que o referido desenho, por meio de uma crítica à sociedade norte-americana leve e descompromissada, acaba ansiando pelo status quo social. Todas as instituições são agredidas, mas, no final, sempre a instituição "Família" é preservada. Além do mais, posso até estender meu comentário aqui afirmando que "Os Simpsons" carrega um pensamento burguês neo-liberal; personagens como Lisa e Margie são bem sucedidas, apesar do constante obstáculo ao seu sucesso imposto pelas instituições. Assim, sob a perspectiva do desenho, cada cidadão é capaz de desenvolver sua vida social satisfatoriamente, por meio de méritos próprios, independente da crise institucional generalizada a qual o personagem possa se achar.

Agora, chega de Simpsons, pois é a vez de analisar outro desenho: "South Park". Esse desenho, considerado mais escatológico, ácido e grosseiro, é também um desenho mais crítico, se comparado aos Simpsons. Não que South Park seja um primor de crítica ao atual american way of life, mas o desenho é mais niilista. Nele, nenhuma instituição resta de pé, e todas, inclusive a família, são sistematicamente destruídas a cada episódio. Não é ressaltado nenhum mérito pessoal que qualquer personagem possa ter, e todas as correntes ideológicas são criticadas. O menino judeu, o gordo, o pobre, o classe média, o rico, o deficiente, enfim, todos, possuem os mesmos problemas de se viver numa sociedade medíocre, e não há méritos individuais que os possam salvar.

South Park aborda questões espinhosas: racismo, sexo, educação e mídia estão no cerne da animação. Além desse ponto, o desenho chega a discutir o próprio formato do discurso, quando aborda a loucura a qual a comunidade norte-americana está chegando ao se importar tanto com o politicamente correto. Definitivamente, South Park não tem a intenção de ser artístico ou a preocupação de fazer uma crítica séria e embasada; é um desenho niilista, politicamente incorreto e, por isso, sua crítica ao status quo surte mais efeito.

domingo, 24 de maio de 2009

Dez na área

O causo começou a ser noticiado nesta terça-feira: o governo do Estado de São Paulo encomendou cópias de um livro de Histórias em Quadrinhos chamado "Dez na área, um na banheira e ninguém no gol.". Um livro de 2002, versando sobre futebol, com desenhos e histórias de vários autores e prefácio de Tostão. Muito boas, por sinal, as narrativas gráficas desenvolvidas no livro. Uma ou outra contém palavrões e conteúdo sexista. Mas, até aí, nada demais.

O problema todo começa no fato de para quem o governo resolveu destinar o tal livro: alunos da 3ª série do ensino fundamental. Esses alunos, definitivamente, não possuem maturidade suficiente para entrar em contato com tal tipo de história. Descoberto o escândalo, o governo manda recolher os livros e a imprensa começa a questionar o fato de se o governo leu ou não o "Dez na área". De maneira preconceituosa, lia-se nos jornais que "HQ com palavrões vai para a escola", além da óbvia notícia com a afirmação "Gibi não é mais coisa só para criança".

Pois bem, coisas desse tipo acontecem com a imprensa. O pior foi, além disso, o ilustríssimo senhor José Serra, ao invés de pedir desculpa pelo erro, aumentá-lo, ao atacar, gratuitamente, o gibi. "Achei os desenhos horríveis", teria dito ele.Eis aí um governo, em plena tentativa de estimular a leitura, desestimulando-a duplamente: primeiro, ao indicar a obra para uma faixa etária indevida; depois, ao denegrir a obra. E o homem que lidera esse governo, no fundo de seu palácio, anseia governar o Brasil.

domingo, 17 de maio de 2009

Direitos humanos dos suínos

Quando surgiu a gripe suína, ela começou a ser noticiada e chamada com o nome "gripe suína". Um nome que, assim como o vírus, pegou. Simpático até, imaginar um porquinho gripado, com o nariz escorrendo e espirrando. Mas eis, amigos, que a imprensa boazinha, zeladora dos direitos suínos, define a nova gripe como A(H1N1), alegando uma possível queda nas vendas da carne de porco.

E eis aí, o ponto: todos os meios de comunicação, cada vez mais, buscam o chamado "politicamente correto". Essa busca por uma suposta não-ofensa, por uma suposta imparcialidade, começou não por bondade da imprensa, mas sim por seu desejo em querer vender mais jornais, afinal, não sendo partidário, não ofendendo a nenhum grupo, a mídia pode ser comercializada por todos.É uma imparcialidade falsa: a mídia sempre opta e optará pelo lado do capital.

E, infelizmente, teremos de nos contentar a ouvir comentários caretas, pseudoimparciais. Felicidade dos porcos, que têm a sua imagem preservada.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O Homem é Brahmeiro

Parece agora decidido: o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, virá ao Brasil. E isso não é pouca coisa: paulatinamente o Irã vai destruindo o bloqueio político imposto a ele. Entre declarações contra homossexuais e afirmações negando a existência do Holocausto, Ahmadinejad, sem dúvida, ganha vulto na mídia internacional. Depois de seu discurso na ONU, em que chamou Israel de racista, teve o seu rosto estampado em toda a imprensa internacional dia e noite.
Ahmadinejad não é de todo bobo e sabe que poderia esconder qualquer opinião antidiplomática por baixo do pano, bastando se omitir. Mas, ao contrário, sua opinião é expressa, divulgada sem culpas. O presidente do Irã faz isso exatamente para repercutir na mídia e chamar a atenção. Aparentemente, independente da ideologia praticada, "repercutir" na mídia vem sendo a grande sensação dos presidentes pelo mundo.
Hugo Chávez é um mestre no assunto. Chamando insistentemente o governo norte-americano de demoníaco, o presidente venezuelano obteve quase tanta representatividade midiática quanto o presidente do Brasil. E, convenhamos, é um feito tremendo um país como a Venezuela possuir um líder que seja ouvido pela mídia internacional, independente do que ele tenha a dizer.
Nosso presidente, o Homem, também padece de tal mal. Gozando, no exterior, da fama de um líder de esquerda, ex-sindicalista, Lula aproveita o fato e dá as suas declarações com intuitos midiáticos. Obviamente Lula não diz coisas tão explosivas quanto Chávez ou Ahmadinejad, mas suas declarações, ao demonstrarem um senso comum absurdamente popular, chocam a mídia, obrigando-a a noticiá-lo. Lula possui uma imagem tão pop que é fácil imaginá-lo numa propaganda da Brahma, junto com Ronaldo, afirmando algo como "Companheiro, o Homem também é brahmeiro!"
Até o incensado Barack Obama, sempre, ao emitir suas opiniões, demonstra o senso de alguém muito aberto e antenado com os tempos modernos. Acaba sendo excessiva essa sua posição, a ponto de, aos olhos da grande mídia, Barack Obama encarnar o Messias norte-americano.
Portanto, Ahmadinejad, ao fazer o que faz, segue os atuais padrões de como um líder mundial deve se portar: chamando a atenção. A ideia atual de "líder" restringe a ideologia de alguém como mero apêndice da figura midiática que essa pessoa é capaz de exercer.