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domingo, 1 de novembro de 2009

This is it

This is it”, filme póstumo de Michael Jackson que estreou nessa quarta-feira, permite múltiplas perspectivas. Feito às pressas depois da morte do astro, com intuito de ficar apenas duas semanas em cartaz para depois ser vendido em DVD no natal, o rótulo de caça níquel é inevitável.

Infelizmente, durante a projeção, tal rótulo é comprovado. A estrutura da película, um híbrido entre documentário e musical, acaba sendo mais uma colcha de retalhos daquilo que poderia ter sido e não foi devido a essa pressa. A parte “documentário” é muito rasa, permitindo pequenos vislumbres de como Jackson e sua equipe trabalhavam. A parte “musical”, o grosso de “This is it”, é uma coleção de ensaios esperando um show para formatá-los. O material todo ficaria muito bom como um DVD de extras do show, não como um filme em si.

Mas, estamos falando de Michael Jackson, e é aí que entram as múltiplas perspectivas do filme. Não basta analisá-lo como produto acabado; há de pensar em “This is it” como a lembrança de uma das maiores figuras da história da música. Assim a obra ganha suas verdadeiras cores e cresce em importância, e nisso ela acerta, por ser uma bela lembrança.

Fugindo das controvérsias envolvendo a vida de Jackson e sua morte, “This is it” mostra, com dignidade, um Michael como todos deveriam se lembrar: um sujeito focado em seu trabalho, perfeccionista, preparando-se para um grande show. Não duvido se em todas as sessões ao redor do mundo todos baterem palmas.



domingo, 6 de setembro de 2009

Conclusão: Da atual música produzida e consumida

Resumindo a primeira parte desse texto, em linhas gerais, acredito não haver nenhuma prova cabal de que a qualidade da música de hoje é inferior à das décadas anteriores. As mudanças as quais mencionei fizeram com que a nossa percepção musical ficasse diferente, além da própria música. Mas não é pelo fato da música ficar diferente, adotar uma nova estética, que faz com que a qualidade musical necessariamente fique inferior.

Há aqueles que ainda se apegam a um conceito de estética e percepção musical antigo, e esses sempre falarão que a música atual sofreu uma piora. Com certeza há um desleixo técnico em muitos músicos contemporâneos, a ponto dos três acordes do punk soarem como luxo hoje, mas, convenhamos, a técnica não se reflete em qualidade estética.

Um exemplo claro disso é o Parnasianismo, corrente literária na qual o que importava era basicamente a técnica do poeta. O poeta parnasiano deleitava-se em usar as mais difíceis palavras e construções literárias, a ponto de pregar a arte pela arte e a tentativa de remover as sentimentalidades nos poemas. Pois bem, o Parnasianismo, como corrente literária, ficou em voga por algumas décadas e hoje em dia não passa de mera curiosidade histórica para a maioria dos leitores. Isso porque a nossa concepção estética mudou drasticamente a ponto do Parnasianismo não fazer tanto sentido assim.

Com a música, acontece a mesma coisa. Estamos em plena modificação dos nossos valores e muita coisa vai mudar em nosso gosto. A grande diferença de hoje para as décadas passadas é cada vez mais a liberdade para gravar música e divulgá-la, diminuindo em muito a dependência do artista em relação à sua gravadora. Gravar música usando uma nota, hoje, é possível. Se a gravadora recriminar o artista por tal gravação, basta gravar num estúdio caseiro e disponibilizá-lo na internet. Inclusive, a banda White Stripes chegou a fazer um show somente com uma nota (!)



Assim, com a liberdade artística ampliada, a música está se transformando e sonoridades nunca antes gravadas estão sendo divulgadas. Isso, com certeza, exige uma nova percepção do conceito de música e um certo desapego aos valores estéticos tradicionais. O próximo passo do que vai acontecer com as gravadoras e como a música vai ser produzida foi dado pela banda Radiohead, ao lançar o disco "In Rainbows". Cada consumidor podia ir no site deles e pagar o valor que quisesse pelo download do álbum. Isso faz com que o consumidor possa atribuir diretamente o valor da música e interferir, então, no processo de criação do artista. Se isso vai vingar ou quais os seus desdobramentos, só o futuro dirá.



domingo, 30 de agosto de 2009

Da atual música produzida e consumida

Muitas vezes, quando converso sobre música, vejo as pessoas elogiarem determinada década e elege-la como “a melhor década da música”. Geralmente essa frase vem junta de outra, mais forte: “nunca mais vai haver músicas tão boas como antes”. Eu sou pessimista por natureza, mas, devo confessar, com relação à música sou muito otimista. Acredito estarmos numa grande fase musical e o futuro é mais promissor ainda. O que acontece, creio eu, é uma mudança generalizada no mercado fonográfico, que faz com que o consumidor sinta esse “vazio musical” a ponto de eleger outra década como a melhor.

Por exemplo, o primeiro ponto a mudar drasticamente a relação entre consumidor e música é que hoje em dia qualquer um escuta qualquer música de qualquer jeito. Atualmente, o sujeito escuta música no seu mp3 player, no youtube, na sua rádio online. Não existe mais aquela necessidade de esperar o lançamento do disco, ir à loja, comprá-lo. Numa sociedade de consumo, a partir do momento em que não é mais necessário gastar para consumir, o valor do produto consumido diminui. Assim, pela facilidade de adquirir a música, esta perde parte de sua qualidade musical aos ouvidos do consumidor, pois ele não teve dificuldade alguma para usufrui-la.

Outro ponto a mudar drasticamente, além da forma como a música é consumida, é a forma como ela é produzida. Antes o artista necessariamente sofria para poder entrar em um estúdio e conseguir gravar algo. Hoje, com o barateamento da tecnologia, é muito mais fácil produzir qualquer coisa. Aí então aumenta exponencialmente o número de gente produzindo música, havendo maior divisão de gosto e aumentando o questionamento sobre a qualidade de determinada música. Unanimidade, hoje, é algo cada vez mais raro.

A percepção do ouvinte/consumidor perante a música é mudada também pela sua divulgação e marketing. Antigamente, para ouvir o lançamento de determinado artista, era necessário esperar tocar na rádio, aguardar o videoclipe passar na TV. Eram poucos os meios de comunicação divulgando poucos artistas. Os ouvintes/consumidores ficavam nas mãos desses poucos meios, fazendo com que a música transmitida por eles parecesse de maior qualidade do que a que realmente era, se comparado ao atual cenário, com inúmeras fontes de divulgação para inúmeras bandas.

Por hoje é só, antes que me prolongue demais. Semana que vem chego à conclusão desse texto, mais um de meus pitacos pseudo-filosóficos.