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segunda-feira, 8 de março de 2010

Arruda preso


A cada notícia sobre o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, fica latente o desejo popular de retaliação ao político, atualmente sem partido. Responsável pelo mais novo mensalão e pelas cenas enojantes de políticos contado notas, o governador afastado, agora, parece não se encontrar bem de saúde.

Importante é notar o interesse de tal notícia. O público, sabedor que há de haver uma punição leve, anseia por Arruda ir de mal a pior. Nesse ínterim, o estado de saúde do governador serve como uma espécie de punição divina: há uma vontade de vê-lo chafurdando numa prisão pequena e sofrendo. Daí, advém a necessidade de se noticiar o inchaço dos pés de Arruda, que estariam "caminhando para uma trombose".

Obviamente, a mídia não divulga o estado de saúde muito pior da maioria dos detentos de nosso sistema carcerário. O governador afastado, preso e doente, é um caso raro e curioso, o qual o próprio público parece não acreditar e tem de observar diariamente para crer. Já sobre o nosso sistema carcerário, o público admite saber das suas reais situações, mas não deseja ver: a realidade, quando não é curiosa, é indiferente.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O ano de Obama

Barack Obama, mesmo depois de um ano no qual obteve mais acertos do que erros, vê seus índices de popularidade caírem além do esperado; o pior: as urnas não lhe anunciam nada de favorável para as eleições legislativas de 2010, já que o partido Republicano tem se mostrado o favorito do eleitorado.

Uma queda de popularidade após o primeiro ano de mandato é sempre esperada, mas com Obama o negócio se deu de forma acentuada. Barack, após um ano tentando implantar um sistema de saúde eficaz e universal nos EUA e reerguer a sua economia, toma outra atitude correta: o presidente pretende regulamentar melhor os bancos, para que outras bolhas econômicas não ocorram e a crise não volte.

Apesar de fazer o certo, o eleitor médio não mantém em grande valia o esforço de Obama. Parte da explicação reside na campanha presidencial de 2008, na qual foi vendida a imagem de Barack como o Messias dos EUA. Milagres? Sim, nós podemos. Além disso, acrescente-se o fato de que, em verdade vos digo, o eleitor médio não tem ideia sobre a função de um presidente. Imagina o eleitor a função de presidente como a de alguém que pode melhorar ou piorar o seu país, ao seu bel prazer. Confrontada a realidade, pensa o eleitor médio ser falta de vontade do presidente a permanência das mazelas.

Depois de enfrentar um 2009 cuja política foi voltada para atenuar a crise econômica, 2010 será outro ano difícil para o presidente dos EUA: além de tentar sustentar a melhoria econômica, Barack irá enfrentar um legislativo oposto ao seu governo. O primeiro presidente americano negro merecia melhor sorte.

domingo, 29 de novembro de 2009

Honduras realiza eleições e crise permanece

Honduras realiza hoje eleições gerais e, dentre os cargos a serem eleitos, está o de presidente. Desde o dia 28 de junho, o governo hondurenho vive uma crise de legitimidade devido ao golpe militar que fez com que o então presidente Zelaya entrasse em um avião ainda de pijama e saísse de seu país.

O caso todo não pode ser tomado como um simples golpe de estado; Manuel Zelaya foi deposto por ter proposto reformar a constituição hondurenha sem passar pelo poder legislativo. Para isso, havia convocado um referendo e, devido à ilegalidade do ato, a Justiça ordenou a prisão do presidente.

O fato, em si, é que um erro não legitima o outro. Zelaya quis mexer numa cláusula pétrea da constituição de forma ilegal, e o golpe militar também é ilegal. Essa eleição poderia ser uma maneira de colocar, finalmente, um fim ao impasse da legitimidade, mas a comunidade internacional não pensa da mesma forma. A ONU não mandará nenhum observador para as eleições e a maioria dos países da América latina já disse não reconhecer o vencedor como legítimo presidente. Os EUA são a única nação de peso a apoiar as eleições, e o Brasil ainda bate o pé para negar as eleições hondurenhas.

Oras, estimado leitor, muito me incomoda o discurso hipócrita de Zelaya: quando é para convocar referendo, ele o convoca, mesmo de maneira ilegal, e quando ocorre uma eleição, prevista desde 2006, ele argumenta que, como o presidente legítimo está fora da presidência, as votações ocorrem em uma situação de exceção e não têm validade. Manuel Zelaya deveria ter pensado “na validade” das coisas antes de seu primeiro gesto ilegal. Não adianta ele, agora, posar como presidente legítimo e nem o Brasil defendê-lo, alegando preservar o direito e a democracia do estado hondurenho. Zelaya desrespeitou ambos a seu bel prazer e agora merece assistir às eleições e engolir um novo presidente.


domingo, 15 de novembro de 2009

Apagão 2009

O apagão do dia 10 de novembro foi deveras debatido durante a semana. Visando às eleições de 2010, a oposição tentou fazer da falta de energia um fato eminentemente político, enquanto a situação minimizou o causo. Edson Lobão, ministro de Minas e Energia, foi incisivo ao afastar qualquer carga de responsabilidade do governo, afirmando que o apagão foi provocado por condições meteorológicas.

A oposição não se deu por satisfeita e tentou, a todo custo, convocar a ministra da Casa Civil Dilma Roussef para se pronunciar a respeito, na condição de ex-ministra de Minas e Energia. A presidenciável Dilma, então, teve de sair do casulo e dar uma resposta à opinião pública, na qual afirmou que isso não é apagão não, minha filha, e sim blecaute. Pelo dicionário de Dilma, apagão e blecaute se diferenciam por aquele pressupor racionamento de energia e falta de planejamento, coisa que, no governo petista, não ocorreria.

A imprensa, esse maravilhoso órgão disposto a “repercutir” tudo, acabou descobrindo um dado curioso: até agosto de 2009, somente 38% do total da verba anual da Eletrobás foi utilizada, o menor valor dos últimos 10 anos. Onde estaria, então, o planejamento alardeado pelo governo petista? Talvez no mesmo lugar onde foi parar o planejamento tucano em 2001, quando as condições meteorológicas também serviram como desculpa para o apagão da época.

Essa verba não foi utilizada pela Eletrobás por falta de projetos que a utilizem. E esses projetos, então, porque não são feitos? Simples: desde seu primeiro mandato, o governo petista iniciou um processo de aparelhamento do Estado “nunca antes visto na história desse país”. Cargos com funções efetivamente técnicas foram dados a companheiros de longa data, cuja ajuda em campanha deveria ser recompensada. Sem técnicos para fazer projetos, as verbas ficam sem uso. O caso da pasta de Minas e Energia é um exemplo: Edson Lobão é advogado e jornalista, indicado por José Sarney. Um sujeito com essa formação não tem capacitação para coordenar um projeto em larga escala para a matriz energética brasileira. Mas tem capacitação para alavancar a aliança entre PT e PMDB para o ano que vem. Ao PT de Lula, isso basta.

domingo, 25 de outubro de 2009

Sobre Lula ser Jesus...

Muita celeuma foi criada em torno da polêmica declaração do presidente Lula, a de que, para ter governabilidade no Brasil, até Jesus Cristo teria de se unir a Judas. Parte dessa celeuma é até fundada, afinal, qualquer cristão não gosta do nome de Jesus ser falado em vão, ainda mais em conjunto com o de Judas. Mas, a polêmica não devia ter ficado apenas no campo religioso.

Lula, ao se comparar com Jesus, mais uma vez demonstra arrogância e prepotência. O presidente se considera um messias iluminado, o ser posto na terra para salvar-nos. E esse complexo de messias não é culpa só de Lula, mas foi colocado em sua cabeça devido à esquerda míope dos anos setenta e oitenta, que via em sua figura a do Salvador a vingar o proletariado na luta de classes. Pois bem, Lula venceu as eleições, inclusive se reelegendo, e a luta de classes continua aí.

Entretanto, incauto leitor, não se atenha a essa minha crítica; José Dirceu, antigo homem forte do governo, saiu em defesa do Presidente, dizendo o seguinte: "Pouco importa o exemplo por ele utilizado e sim o fundamental que continha sua fala: o atual sistema político eleitoral e partidário brasileiro conduz necessariamente a governos de coalizão, nem sempre programáticos e muito menos ideológicos".

Eis aí, José Dirceu disse tudo. O governo Lula não é programático e muito menos ideológico. O PT, para se eleger em 2002, abdicou de toda a sua ideologia e traiu todos os seus partidários, entrando num esquema cada vez mais próximo ao daqueles partidos que sempre repudiava. Lula, ao se comparar com um Jesus unindo-se a Judas, demonstra um desprezo por sua aliança e um descaso com a opinião pública. A sua aliança deveria chiar.

Em tempo: Jesus Cristo nunca se uniria a Judas para assegurar a governabilidade no Brasil. Ele nunca pensou em governar, abdicando dos desejos fúteis de poder. Lula deve ter se esquecido que, no deserto, a segunda tentação de Jesus foi a promessa de poder proposta pelo diabo. E Cristo recusou.

domingo, 20 de setembro de 2009

Pré-sal


A camada de pré-sal é o novo mote da corrida presidencial 2010. O governo, ao alardear o petróleo em nosso litoral, não o faz visando o progresso de nosso país, mas sim, obviamente, contando com a eleição da senhora mãe do PAC, Dilma Rousseff. Dilma, ainda sem carisma suficiente para ganhar a eleição e sem nenhum feito memorável ao eleitor, aparece em todo anúncio favorável ao governo, e com o pré-sal não foi diferente.

Seja falando sobre como deveria funcionar o modelo regulatório para a exploração da camada de pré-sal do Brasil ou como tal modelo diminuirá nossas desigualdades sociais, Rousseff aparece na mídia como mãe do nosso petróleo. A grande discussão dos royalties é, na verdade, a discussão sobre qual fatia do eleitorado o PT e Dilma vão querer atingir.

Tradicionalmente o PT não tem no estado de São Paulo o seu grande reduto eleitoral nas corridas presidenciais. Lula ganhou suas duas eleições contando com menos votos do estado do que se esperaria e, provavelmente, ano que vem não será diferente. Com o atual modelo de royalties, os grandes favorecidos pelo pré-sal seriam os três estados do litoral do sudeste. O PT, sabedor do seu eleitorado, tenta fazer com que o dinheiro do petróleo seja distribuído entre ele, ignorando questões ambientais e o impacto social gerado dentro das cidades cujo litoral será explorado.

O governo de José Serra se mexe para fazer com que os royalties funcionem da atual maneira, deixando dinheiro, por sua vez, no estado de seu eleitor. Assim, mais uma briga política está armada e o eleitor vê a criação de mais uma estatal a custa de seu imposto. A exploração do petróleo será feita com o dinheiro do contribuinte e o pior: não há garantia alguma de qualquer lucro. Investiremos dinheiro agora para obtermos algo só por volta de 2015, e ainda por cima estamos aplicando em uma matriz energética cujo valor é incerto. O barril do petróleo, depois de chegar a 150 dólares, despencou para 30.

Enquanto investem nosso dinheiro no escuro, na África é encontrado o campo de Venus B-1, contendo bastante, bastante petróleo.

domingo, 13 de setembro de 2009

11 de setembro

Impossível, não falar sobre o 11 de setembro de 2001. Finalmente há uma distância temporal interessante para analisar o real impacto que a queda das torres gêmeas causaram no mundo e, mais especificamente, nos EUA. Passado o auge da comoção, o calor do momento, dá para refletir mais objetivamente sobre o que afinal significou a derrocada das torres americanas.

Com os ataques terroristas da Al Qaeda, podemos dizer que começa o século XXI, seja em termos ideológicos, seja em termos históricos. Começou ali uma caça às bruxas levada a cabo por Bush filho cuja conseqüência foi a reeleição deste. Muito provavelmente a sorte de John Kerry, candidato democrata à presidência em 2004, teria sido outra, caso não houvesse o 11 de setembro. George W. Bush ganhou um segundo mandato não por sua competência política ou diplomática, mas sim pelo fato dos ataques terroristas terem despertado todo um lado reacionário do eleitorado dos EUA. E, se em sua primeira eleição pairavam dúvidas com relação a fraudes na Flórida, em sua segunda não houve margem para maiores indagações. Os EUA queriam que Bush filho continuasse sua “retaliação contra o terror”.

Durante esse período de retaliação, a maior consequência foi a concretização do sonho do Bush pai: a morte de Saddam Hussein. Buscando Bin Laden e o “terror”, os EUA se depararam com o Iraque, acusaram o país de possuir armas químicas e biológicas (nunca encontradas), caçaram o seu presidente e, como modernos missionários, exportaram o seu modelo de democracia para uma cultura totalmente diferenciada, cujas facções religiosas e políticas dificilmente aceitariam pacificamente um modelo “democrático” imposto, vindo de fora. O que sobrou foi uma ocupação norte-americana no país, com empresas dos EUA fatiando todo o dinheiro advindo do processo da reconstrução iraquiana.

A eleição de Barack Obama ainda é um eco de 11 de setembro. Com a política de Bush filho voltada para o petróleo e o terror, uma bolsa imobiliária cresceu, gerando a atual crise econômica. Com tal crise econômica instaurada, só restou ao povo norte-americano, finalmente, parar de pensar no terror e refletir que precisamos de mudança. Sim, nós podemos.

domingo, 16 de agosto de 2009

Cowboy fora da lei

Em Honduras, o negócio continua daquele jeito. Vemos o Zelaya partir para a comunidade internacional atrás de apoio, tentando estreitar os laços com os EUA, para que estes tenham uma posição mais rígida para com o governo golpista. E a conta, nesse caso, é simples: cerca de 70% do comércio exterior hondurenho depende dos EUA. Um embargo, nesse caso, seria catastrófico. Não à toa, as eleições de Honduras estão aí, para serem realizadas em novembro e dar um cala boca à comunidade internacional.


Zelaya: "Mamãe, eu quero ser presidente"


No Senado brasileiro, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB - RJ), sujeito que minimizou a opinião pública ao chamá-la de "muito volúvel", foi nada volúvel: arquivou tudo que apareceu no Conselho de Ética, fosse do governo, fosse da oposição.

Aliás, o Congresso Nacional parece finalmente preocupado com algo grave: a influenza A (H1N1). Nossos representantes demonstraram tanta preocupação com a tal gripe que chegaram a pedir lotes exclusivos do remédio TamiFlu ao Ministério da Saúde. Veja você, a razão do tal pedido foi o medo de que os servidores e os parlamentares tivessem de procurar o remédio nos centros públicos de saúde e ficassem sem.

Além de imunidade parlamentar, o Congresso almeja imunidade médica.

Por fim, um singelo vídeo do Collor (PTB - AL), atual defensor de Sarney (PMDB - AP), na campanha de 1989. Direto da série "teu passado te condena":


domingo, 9 de agosto de 2009

A boa e velha rádio AM

Na semana em que tudo aconteceu, nada, na verdade, aconteceu. Tivemos de assistir às trocas de acusações entre Simon (PMDB - RS) e Renan (PMDB - AL), depois Simon e Collor (PTB - AL), e, por fim, Tasso (PSDB - CE) e Renan.


O resultado de tudo isso? O conselho de ética arquivou todas - eu repito - todas as acusações que pairavam sobre Sarney e o nosso presidente do Senado continua lá, sem renunciar.


Fiquei inconformado com o causo e fui procurar gente disposta a compartilhar a minha dor. Em tempos de internet, nada melhor que o Twitter para apaziguar-se a alma, ainda mais depois de saber do movimento "fora Sarney". Pois bem: reza a lenda que os desbravadores desse movimento no Twitter foram Rafinha Bastos, do CQC, repórter Vesgo, do Pânico, Marcos Mion, da MTV, e Júnior Lima, irmão da Sandy. A mais fina flor da nossa televisão brasileira. Logo depois do discurso do Sarney, resolvi averiguar o Twitter de cada um para ver o que acharam do referido discurso.

Rafinha Bastos, em seu Twitter, estava interessado em um vídeo da internet e nem mencionou nada sobre o Senado: "Depois o sucesso do vídeo do casamento dançante, agora é hora do divórcio: http://bit.ly/16nJAy", postou ele. Deve ter sido um lapso, pensei, e fui ver o comentário do repórter Vesgo sobre o causo, mas acredito que ele se esqueceu também: "Domingo você conhecerá um novo esporte que virou moda na praia: o Cocobol. Imperdível!! http://twitpic.com/cw4i8". Realmente, o Cocobol deve interessar mais que a permanência ou não do presidente do Senado. Imperdível!, mesmo.

Depois de meus dois insucessos, não me abati e fui ver os comentários de Marcos Mion: "Gravando o quinta! http://yfrog.com/4qaywj". Tudo bem, ele estava gravando o programa Quinta Categoria, mas passou a semana inteira sem nem ao menos mencionar o caos no Congresso. Por fim, sobrou o Júnior Lima. Em seu Twitter, ele tinha outras preocupações: "RT @acmpereira http://twitpic.com/ctl2k"; nada sobre o Senado.

Decepcionado, principalmente com aqueles que tentaram fazer Ashton Kutcher participar do "fora Sarney", sai da internet. Liguei o rádio na AM mesmo e deixei o Twitter com seus vídeos e piadas para lá.

PS: Nada contra piadas e Twitter. O que me deixa triste é esse pessoal usar um fato político como matéria para um humor infantil, ao invés de usar o humor como fato político.

PPS: Em resumo, a tentativa de colocar Ashton Kutcher no "fora Sarney".



Cuidar da política do meu país? Fuck!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sarney

Ontem Pedro Simon (PMDB - RS) foi duramente atacado e criticado. Renan Calheiros (PMDB - AL), entre outras críticas, chegou a acusá-lo de incoerência; Fernando Collor de Mello (PTB - AL), além de afirmar que Simon seria um político magoado desde 1986, na época de Tancredo, disse também para Simon engolir suas palavras antes de pronunciar o nome Collor. Entre as acusações dos senadores, sobrou até a acusação de que Simon estaria fazendo nada com relação ao próprio estado, cheio com os escândalos de Yeda Crusius (PSDB - RS). Tudo isso porque Simon se pronunciou favorável à renúncia de Sarney.

Oras, a tropa de choque do Sarney conseguiu o seu intuito: além de silenciar o discurso de Simon, que se viu obrigado a passar a se defender, devido às acusações, desviou o foco da imprensa, que, ao invés de noticiar algo como "Simon pede a renúncia de Sarney", teve de noticiar a celeuma provocada pelo discurso.Que Deus tenha piedade de nós.

domingo, 26 de julho de 2009

Democracia

Devido ao caso de Honduras e a seu golpe militar, ultimamente tem sido comentado sobre a importância da democracia e liberdade, duas palavras mágicas que povoam o imaginário popular como algo "do bem". A democracia, como "todos" aprendemos, é um conceito grego que vem de demos (povo) e kratia (poder), "governo do povo". Muito bonito e didático, a ponto da democracia, no âmbito político, equivaler-se ao conceito de liberdade.
Oras, estimado leitor, já na Grécia antiga a democracia não representava a liberdade, e sim a exclusão das mulheres e escravos da política. Mas hoje em dia é tudo diferente, não? Não. A democracia torna-nos livres, sim, mas livres para consumir, escolher entre este ou aquele produto, alienar-nos. Não à toa, o sistema democrático foi o grande "eleito" do capital internacional para representar seus interesses.
A democracia, ao nos forçar optar entre este ou aquele representante, já nos exclui a opção de não sermos representados. Obrigatoriamente temos de ser representados, temos de escolher um político como escolhemos um tomate na feira e este político escolhido, seja ele qual for, atuará de acordo com os interesses da democracia, afinal, foi através dela que ele conseguiu seu poder e é através dela que espera perpetuá-lo. Mas, afinal, quais são esses interesses da democracia que todo e qualquer político eleito democraticamente deseja perpetuar?
O principal desejo da democracia é o da liberdade para consumo. Todos são livres para consumir, escolher entre um produto e outro, assim como pode ser escolhido o político. Portanto, a democracia oferta uma falsa liberdade, a de consumo, e, com isso, reduz o embate político, que se atém à questão de elevar o poder aquisitivo das mais baixas classes sociais. Com tudo isso, o cidadão deixa de ser cidadão, alguém com capacidade de questionar sua organização política, social, para tornar-se um mero consumidor, alguém cuja única preocupação é a de eleger o sujeito que lhe dará maior acesso aos bens de consumo. As ruas, ao invés de serem locais públicos para integração social, não passam de centros para o consumidor escolher seus produtos.
A democracia, ao nos ofertar uma falsa liberdade, nada mais faz que perpetuar o consumismo, deixando-nos cada vez mais alienados de nós mesmos, pois saboreamos tal liberdade como se fosse a verdadeira.

domingo, 10 de maio de 2009

Das eleições de 2008

Achei um barato a candidatura a vereador do Serginho Mallandro. Divertido, bem-humorado e carismático, o Mallandro é uma figura que possui proporções míticas nas minhas lembranças infantis. A sua famigerada "Porta dos Desesperados" me fez, inúmeras vezes, ficar grudado na tela da tevê nas manhãs dos dias de semana. Aquele homem cantando "Um capeta em forma de guri" sempre me deu a sensação de que ser arteiro era bom e não fazia mal a ninguém. Aliás, seria até a obrigação de qualquer garoto saudável aprontar alguma de vez em quando. Proporções míticas nas minhas lembranças infantis, só isso.Pois cresci, o tempo mudou, e Mallandro já passou por poucas e boas.

Desde a acusação de estupro por uma das malandrinhas ao uso de drogas, o verdadeiro problema de Serginho foi um só: a baixa audiência. Mallandro sofreu o que todos os apresentadores de programas infantis dos anos 80 sofreram: uma queda de diálogo com a geração de crianças que crescia e a dificuldade de adequar um discurso à geração vindoura. Angélica, Eliane, Mara Maravilha e Xuxa, assim como Serginho, nunca mais conseguiram encaixar um programa infantil de sucesso. O Mallandro tentou outros públicos e, com suas pegadinhas de péssimo gosto, chegou a ter algum tipo de ibope. No fim, como era de se esperar, a fórmula de pegadinhas se esgotaria e o Serginho voltaria ao limbo. As acusações que se seguiram foram reflexo dessa queda artística. Serginho teria ou não estuprado uma malandrinha? Ele usaria ou não drogas? Talvez essas acusações até prolongaram o nome do Mallandro na mídia, mas não o ajudaram a emplacar qualquer sucesso. No caso da malandrinha, Serginho foi inocentado (e eu acredito que ele tenha ido para a cama com ela, mas possuindo o consentimento da moça) e, quanto às drogas, nunca se provou nada contra ele.

Como disse lá atrás, achei um barato a candidatura do Mallandro, mas isso não quer dizer que eu concorde com ela. Serginho nunca apresentou qualquer indício de projeto para a sociedade como um todo e sequer demonstrou relação alguma de cuidado com o bem público. Ao ver a foto do Mallandro no sítio do TSE, continuei imaginando que ser arteiro é bom e não faz mal a ninguém, desde que isso não interfira na vida pública de uma cidade.Obs: Mallandro não ganhou a eleição. Melhor para a vida pública de São Paulo.