







Ahmadinejad, atual presidente do Irã, já negou o holocausto, esvaziou congressos internacionais e possivelmente ganhou uma eleição de forma fraudulenta. Esse sujeito, que está tocando um projeto nuclear cujo intuito só Deus sabe, vem para uma visita ao Brasil.
Tal visita, já ensaiada e adiada, é garantia de protestos dos judeus, homossexuais e qualquer outro grupo ofendido pelo presidente do Irã. Como me referi em outro texto, Ahmadinejad faz parte de um novo tipo de estadista, para o qual o importante não é a questão ideológica, ética ou programática, e sim o vulto midiático que sua figura é capaz de exercer.
O que importa no conteúdo do discurso de Ahmadinejad é exatamente esse choque, a fim de que suas palavras sejam ouvidas. O presidente do Irã, ao negar o holocausto, não o faz com intenção de se mostrar um ignorante em história ou apoiar o nazismo, e sim com o intuito de desmerecer o estado israelense, afinal, o que realmente legitima a criação de Israel é o holocausto.
Ahmadinejad é obviamente pró Palestina, e seu discurso, para ser melhorado, além de incluir o questionamento à legitimidade de Israel, deveria conter alguma crítica à Guerra dos Seis Dias, sempre omitida pela mídia ocidental.
Mas, obviamente, o presidente do Irã não fará isso no Brasil. Ahmadinejad tenta, com sua vinda aqui, legitimar a fraude eleitoral a qual utilizou para se eleger. A comunidade internacional, a começar pelo Brasil, já está engolindo o causo.
O apagão do dia 10 de novembro foi deveras debatido durante a semana. Visando às eleições de 2010, a oposição tentou fazer da falta de energia um fato eminentemente político, enquanto a situação minimizou o causo. Edson Lobão, ministro de Minas e Energia, foi incisivo ao afastar qualquer carga de responsabilidade do governo, afirmando que o apagão foi provocado por condições meteorológicas.A oposição não se deu por satisfeita e tentou, a todo custo, convocar a ministra da Casa Civil Dilma Roussef para se pronunciar a respeito, na condição de ex-ministra de Minas e Energia. A presidenciável Dilma, então, teve de sair do casulo e dar uma resposta à opinião pública, na qual afirmou que isso não é apagão não, minha filha, e sim blecaute. Pelo dicionário de Dilma, apagão e blecaute se diferenciam por aquele pressupor racionamento de energia e falta de planejamento, coisa que, no governo petista, não ocorreria.
A imprensa, esse maravilhoso órgão disposto a “repercutir” tudo, acabou descobrindo um dado curioso: até agosto de 2009, somente 38% do total da verba anual da Eletrobás foi utilizada, o menor valor dos últimos 10 anos. Onde estaria, então, o planejamento alardeado pelo governo petista? Talvez no mesmo lugar onde foi parar o planejamento tucano em 2001, quando as condições meteorológicas também serviram como desculpa para o apagão da época.
Essa verba não foi utilizada pela Eletrobás por falta de projetos que a utilizem. E esses projetos, então, porque não são feitos? Simples: desde seu primeiro mandato, o governo petista iniciou um processo de aparelhamento do Estado “nunca antes visto na história desse país”. Cargos com funções efetivamente técnicas foram dados a companheiros de longa data, cuja ajuda em campanha deveria ser recompensada. Sem técnicos para fazer projetos, as verbas ficam sem uso. O caso da pasta de Minas e Energia é um exemplo: Edson Lobão é advogado e jornalista, indicado por José Sarney. Um sujeito com essa formação não tem capacitação para coordenar um projeto em larga escala para a matriz energética brasileira. Mas tem capacitação para alavancar a aliança entre PT e PMDB para o ano que vem. Ao PT de Lula, isso basta.
A Uniban, em nota divulgada hoje, informou a decisão de expulsar a aluna do 1º ano de turismo, Geyse Arruda. Geyse foi hostilizada pelos estudantes da Universidade no dia 22 de outubro, por ter usado um vestido curto. Após sindicância feita, ficou acertada a expulsão da aluna e suspensão de alunos envolvidos.
Colocada em uma situação difícil, pressionada a preservar a imagem da instituição (inclusive por protestos de estudantes), a Uniban se viu obrigada a tomar atitudes drásticas e, entre perder uma ou mais mensalidades, preferiu apenas perder a mensalidade paga pela Geyse.
Esse caso, tratado superficialmente pela imprensa, exemplifica como está a psique coletiva do jovem universitário brasileiro. Sem uma bandeira clara para defender após a ditadura, o movimento estudantil não aglutina mais os jovens, e estes, necessitando de alguma forma para extravasar suas energias, acabam por fazer barulho sobre qualquer coisa, inclusive, um vestido.
Errou a aluna Geyse, erraram os estudantes e erra a Uniban. O vestido não deveria ter sido usado, a hostilização não deveria ter sido feita e a expulsão, feita às pressas para amenizar as pressões sofridas, não ajuda em nada a aliviar essa psique do universitário brasileiro.
“This is it”, filme póstumo de Michael Jackson que estreou nessa quarta-feira, permite múltiplas perspectivas. Feito às pressas depois da morte do astro, com intuito de ficar apenas duas semanas em cartaz para depois ser vendido em DVD no natal, o rótulo de caça níquel é inevitável.
Infelizmente, durante a projeção, tal rótulo é comprovado. A estrutura da película, um híbrido entre documentário e musical, acaba sendo mais uma colcha de retalhos daquilo que poderia ter sido e não foi devido a essa pressa. A parte “documentário” é muito rasa, permitindo pequenos vislumbres de como Jackson e sua equipe trabalhavam. A parte “musical”, o grosso de “This is it”, é uma coleção de ensaios esperando um show para formatá-los. O material todo ficaria muito bom como um DVD de extras do show, não como um filme em si.
Mas, estamos falando de Michael Jackson, e é aí que entram as múltiplas perspectivas do filme. Não basta analisá-lo como produto acabado; há de pensar em “This is it” como a lembrança de uma das maiores figuras da história da música. Assim a obra ganha suas verdadeiras cores e cresce em importância, e nisso ela acerta, por ser uma bela lembrança.
Fugindo das controvérsias envolvendo a vida de Jackson e sua morte, “This is it” mostra, com dignidade, um Michael como todos deveriam se lembrar: um sujeito focado em seu trabalho, perfeccionista, preparando-se para um grande show. Não duvido se em todas as sessões ao redor do mundo todos baterem palmas.
Muita celeuma foi criada em torno da polêmica declaração do presidente Lula, a de que, para ter governabilidade no Brasil, até Jesus Cristo teria de se unir a Judas. Parte dessa celeuma é até fundada, afinal, qualquer cristão não gosta do nome de Jesus ser falado em vão, ainda mais em conjunto com o de Judas. Mas, a polêmica não devia ter ficado apenas no campo religioso.Lula, ao se comparar com Jesus, mais uma vez demonstra arrogância e prepotência. O presidente se considera um messias iluminado, o ser posto na terra para salvar-nos. E esse complexo de messias não é culpa só de Lula, mas foi colocado em sua cabeça devido à esquerda míope dos anos setenta e oitenta, que via em sua figura a do Salvador a vingar o proletariado na luta de classes. Pois bem, Lula venceu as eleições, inclusive se reelegendo, e a luta de classes continua aí.
Entretanto, incauto leitor, não se atenha a essa minha crítica; José Dirceu, antigo homem forte do governo, saiu em defesa do Presidente, dizendo o seguinte: "Pouco importa o exemplo por ele utilizado e sim o fundamental que continha sua fala: o atual sistema político eleitoral e partidário brasileiro conduz necessariamente a governos de coalizão, nem sempre programáticos e muito menos ideológicos".
Eis aí, José Dirceu disse tudo. O governo Lula não é programático e muito menos ideológico. O PT, para se eleger em 2002, abdicou de toda a sua ideologia e traiu todos os seus partidários, entrando num esquema cada vez mais próximo ao daqueles partidos que sempre repudiava. Lula, ao se comparar com um Jesus unindo-se a Judas, demonstra um desprezo por sua aliança e um descaso com a opinião pública. A sua aliança deveria chiar.
Em tempo: Jesus Cristo nunca se uniria a Judas para assegurar a governabilidade no Brasil. Ele nunca pensou em governar, abdicando dos desejos fúteis de poder. Lula deve ter se esquecido que, no deserto, a segunda tentação de Jesus foi a promessa de poder proposta pelo diabo. E Cristo recusou.
Na primeira cena de seu primeiro filme, Quentin Tarantino demonstra aquela que seria a sua principal característica e maior qualidade: o diálogo afiado com referências pop.
“Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs, EUA, 1992) começa com uma discussão entre criminosos sobre qual seria o verdadeiro significado de “Like a Virgin”, música de Madonna, e tal discussão acabou entrando para a antologia do cinema nos anos 90. A partir dessa cena, veio o cineasta que iria abalar o cinema mundial com uma das maiores obras da década: “Pulp Fiction – Tempo de Violência” (Pulp Fiction, EUA, 1994).
Tarantino, após a sua Opus Magna, acabou praticando um cinema com resultados irregulares. “Jackie Brown” (EUA, 1997) é bom, foi bem recebido pelos críticos, mas dividiu a opinião do público. E, para um diretor cheio de referências à cultura pop, é difícil fazer um filme e ficar afastado do público pop.
“Kill Bill”, lançado em dois volumes, reaproximou Tarantino do espectador cuja infância foi passada gastando fichas de fliperama com Mortal Kombat. Os dois volumes, no final das contas, aparentam ser um conjunto de combates do videogame, no qual o fim é sempre um inevitável fatality. Óbvio, Kill Bill é um legítimo Tarantino e possui qualidades, mas a própria crítica especializada, acostumada aos exageros de Tarantino, perguntou-se, afinal, se o diretor não estaria exagerando demais.
Pareceu que Quentin estava extravasando de vez a sua vertente brincalhona, e utilizou-se das referências pop como forma de legitimar uma estética duvidosa, ao invés de utilizar-se de tais referências para complementar um produto estético bem acabado.
“À Prova de Morte” (Death Proof, EUA, 2007), filme de Tarantino feito para o projeto “Grindhouse”, acabou ampliando essa má impressão de que o diretor estaria fazendo filmes cada vez mais descompromissados e desleixados, cujo exagero, antes útil à narrativa, só serve como brincadeira pura e simples.
É depois de todas essas alternâncias e com o intuito de formar uma base regular para seu cinema, que estreou, nessa sexta, "Bastardos Inglórios" (Inglorious Basterds, EUA, 2009), o novo filme do diretor. E, só por esse fato, merece ser assistido. Em Quentin Tarantino eu confio.

Manuel Zelaya chegou para ficar em Honduras, mas não ficou em Honduras: está lá, na embaixada brasileira, que é, em tese, território do Brasil. Nosso governo, além de exilar um sujeito com o intuito de burlar a constituição hondurenha, presta um retrocesso à “democracia” do país, ao atrasar as novas eleições.
Dia 22 de setembro foi o dia mundial sem carro. Com baixa adesão, lutando contra uma matriz energética e uma malha de transporte já instituída, o dia mundial continuará sendo isso: um dia no calendário.
Último final de semana com o IPI (imposto sobre produtos industrializados) reduzido. As concessionárias agradeceram, a indústria agradeceu e o governo demonstrou que, para diminuir a carga tributária deste país, só mesmo uma crise mundial à nossa porta.
Flavio Briatore foi banido da Fórmula 1, mas, pelo histórico da FIA, sabemos: essa galerinha da pesada continuará aprontando mil e uma confusões, que deixarão qualquer um de cabelo em pé.

Seja falando sobre como deveria funcionar o modelo regulatório para a exploração da camada de pré-sal do Brasil ou como tal modelo diminuirá nossas desigualdades sociais, Rousseff aparece na mídia como mãe do nosso petróleo. A grande discussão dos royalties é, na verdade, a discussão sobre qual fatia do eleitorado o PT e Dilma vão querer atingir.
Impossível, não falar sobre o 11 de setembro de 2001. Finalmente há uma distância temporal interessante para analisar o real impacto que a queda das torres gêmeas causaram no mundo e, mais especificamente, nos EUA. Passado o auge da comoção, o calor do momento, dá para refletir mais objetivamente sobre o que afinal significou a derrocada das torres americanas.
Muitas vezes, quando converso sobre música, vejo as pessoas elogiarem determinada década e elege-la como “a melhor década da música”. Geralmente essa frase vem junta de outra, mais forte: “nunca mais vai haver músicas tão boas como antes”. Eu sou pessimista por natureza, mas, devo confessar, com relação à música sou muito otimista. Acredito estarmos numa grande fase musical e o futuro é mais promissor ainda. O que acontece, creio eu, é uma mudança generalizada no mercado fonográfico, que faz com que o consumidor sinta esse “vazio musical” a ponto de eleger outra década como a melhor.
Por exemplo, o primeiro ponto a mudar drasticamente a relação entre consumidor e música é que hoje em dia qualquer um escuta qualquer música de qualquer jeito. Atualmente, o sujeito escuta música no seu mp3 player, no youtube, na sua rádio online. Não existe mais aquela necessidade de esperar o lançamento do disco, ir à loja, comprá-lo. Numa sociedade de consumo, a partir do momento em que não é mais necessário gastar para consumir, o valor do produto consumido diminui. Assim, pela facilidade de adquirir a música, esta perde parte de sua qualidade musical aos ouvidos do consumidor, pois ele não teve dificuldade alguma para usufrui-la.
Outro ponto a mudar drasticamente, além da forma como a música é consumida, é a forma como ela é produzida. Antes o artista necessariamente sofria para poder entrar em um estúdio e conseguir gravar algo. Hoje, com o barateamento da tecnologia, é muito mais fácil produzir qualquer coisa. Aí então aumenta exponencialmente o número de gente produzindo música, havendo maior divisão de gosto e aumentando o questionamento sobre a qualidade de determinada música. Unanimidade, hoje, é algo cada vez mais raro.
A percepção do ouvinte/consumidor perante a música é mudada também pela sua divulgação e marketing. Antigamente, para ouvir o lançamento de determinado artista, era necessário esperar tocar na rádio, aguardar o videoclipe passar na TV. Eram poucos os meios de comunicação divulgando poucos artistas. Os ouvintes/consumidores ficavam nas mãos desses poucos meios, fazendo com que a música transmitida por eles parecesse de maior qualidade do que a que realmente era, se comparado ao atual cenário, com inúmeras fontes de divulgação para inúmeras bandas.
Por hoje é só, antes que me prolongue demais. Semana que vem chego à conclusão desse texto, mais um de meus pitacos pseudo-filosóficos.


Ontem Pedro Simon (PMDB - RS) foi duramente atacado e criticado. Renan Calheiros (PMDB - AL), entre outras críticas, chegou a acusá-lo de incoerência; Fernando Collor de Mello (PTB - AL), além de afirmar que Simon seria um político magoado desde 1986, na época de Tancredo, disse também para Simon engolir suas palavras antes de pronunciar o nome Collor. Entre as acusações dos senadores, sobrou até a acusação de que Simon estaria fazendo nada com relação ao próprio estado, cheio com os escândalos de Yeda Crusius (PSDB - RS). Tudo isso porque Simon se pronunciou favorável à renúncia de Sarney.
Oras, a tropa de choque do Sarney conseguiu o seu intuito: além de silenciar o discurso de Simon, que se viu obrigado a passar a se defender, devido às acusações, desviou o foco da imprensa, que, ao invés de noticiar algo como "Simon pede a renúncia de Sarney", teve de noticiar a celeuma provocada pelo discurso.Que Deus tenha piedade de nós.
O funeral de Michael foi comovente e o desembarque do Zelaya em Honduras não se deu; O noticiário dá agora espaço para boatos sobre o enterro do Jackson e sobre as negociações entre os mediadores de Zelaya e Micheletti, presidente interino de Honduras.
O fato é que os exames toxicológicos do Michael demorarão para serem divulgados e, dependendo do resultado, a demora será ainda maior. Quanto ao caso hondurenho, acredito que a opinião pública internacional desejará a convocação de novas eleições, afinal, Zelaya interferiu numa cláusula pétrea e um golpe militar, na atual conjuntura global, não é desejável.
O que eu acho? Provavelmente Micheletti vai cozinhar o galo e convocar novas eleições. Falando nisso, é o que Lula fará, com relação a Sarney e ao PMDB: cozinhar o galo e esperar as eleições.
A semana foi mais ou menos assim:
Ahmadinejad reeleito. Protestos, etc e tal. O presidente do Irã irrita, mas seu discurso pró-Palestina é a verdadeira pimenta nos olhos da imprensa ocidental.
Parada gay em SP. Um evento cujo escopo era ampliar o debate sobre a diversidade sexual, a parada agora tem o seu discurso dissolvido e serve como mero carnaval exótico e fora de época em São Paulo.
Brasil em recessão. Foi divulgado: o PIB brasileiro do primeiro trimestre de 2009 foi negativo; é o nosso segundo trimestre consecutivo com o PIB negativo, o que caracteriza recessão. Alguém aí leu em alguma capa de jornal "Brasil em recessão"? Pois é, nem eu. Vai ver, pega mal falar de recessão faltando um ano para eleições.
O resto da semana foram jogos, partidas e corpos do Airbus.
A FIFA, então, anunciou as 12 cidades que serão sedes para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Não desejo falar as obviedades mais óbvias, como, por exemplo, que toda essa grana poderia ser investida em outras coisas, que devemos observar o desvio de verba e (principalmente) o superfaturamento das obras. Não. A imprensa mais atenta e menos ufanista provavelmente falará sobre tudo isso e será ignorada pela grande opinião pública. A Copa ocorrerá de qualquer jeito e, ao que tudo indica, daquele jeito. Infelizmente.
Me atento aqui em outro aspecto: há ainda, no mundo inteiro, uma tentativa, por parte dos povos "civilizados", de "catequizar" outros povos. Os países desenvolvidos ainda insistem em homogeneizar a ideologia e cultura alheia. Essa Copa do Mundo é um exemplo: é sabido e vivido pelos brasileiros que o Brasil é extremamente carente em infraestrutura. Se a Copa será no Brasil, pois que a infraestrutura seja à brasileira; nada da FIFA vir aqui e dar pitacos, só liberando estádios após uma caríssima reforma.Respeitar a cultura alheia seria respeitar, inclusive, essa falta de infraestutura. Afinal, toda e qualquer construção acaba representando uma ideologia.
O causo começou a ser noticiado nesta terça-feira: o governo do Estado de São Paulo encomendou cópias de um livro de Histórias em Quadrinhos chamado "Dez na área, um na banheira e ninguém no gol.". Um livro de 2002, versando sobre futebol, com desenhos e histórias de vários autores e prefácio de Tostão. Muito boas, por sinal, as narrativas gráficas desenvolvidas no livro. Uma ou outra contém palavrões e conteúdo sexista. Mas, até aí, nada demais.
O problema todo começa no fato de para quem o governo resolveu destinar o tal livro: alunos da 3ª série do ensino fundamental. Esses alunos, definitivamente, não possuem maturidade suficiente para entrar em contato com tal tipo de história. Descoberto o escândalo, o governo manda recolher os livros e a imprensa começa a questionar o fato de se o governo leu ou não o "Dez na área". De maneira preconceituosa, lia-se nos jornais que "HQ com palavrões vai para a escola", além da óbvia notícia com a afirmação "Gibi não é mais coisa só para criança".
Pois bem, coisas desse tipo acontecem com a imprensa. O pior foi, além disso, o ilustríssimo senhor José Serra, ao invés de pedir desculpa pelo erro, aumentá-lo, ao atacar, gratuitamente, o gibi. "Achei os desenhos horríveis", teria dito ele.Eis aí um governo, em plena tentativa de estimular a leitura, desestimulando-a duplamente: primeiro, ao indicar a obra para uma faixa etária indevida; depois, ao denegrir a obra. E o homem que lidera esse governo, no fundo de seu palácio, anseia governar o Brasil.
Quando surgiu a gripe suína, ela começou a ser noticiada e chamada com o nome "gripe suína". Um nome que, assim como o vírus, pegou. Simpático até, imaginar um porquinho gripado, com o nariz escorrendo e espirrando. Mas eis, amigos, que a imprensa boazinha, zeladora dos direitos suínos, define a nova gripe como A(H1N1), alegando uma possível queda nas vendas da carne de porco.
E eis aí, o ponto: todos os meios de comunicação, cada vez mais, buscam o chamado "politicamente correto". Essa busca por uma suposta não-ofensa, por uma suposta imparcialidade, começou não por bondade da imprensa, mas sim por seu desejo em querer vender mais jornais, afinal, não sendo partidário, não ofendendo a nenhum grupo, a mídia pode ser comercializada por todos.É uma imparcialidade falsa: a mídia sempre opta e optará pelo lado do capital.
E, infelizmente, teremos de nos contentar a ouvir comentários caretas, pseudoimparciais. Felicidade dos porcos, que têm a sua imagem preservada.
Achei um barato a candidatura a vereador do Serginho Mallandro. Divertido, bem-humorado e carismático, o Mallandro é uma figura que possui proporções míticas nas minhas lembranças infantis. A sua famigerada "Porta dos Desesperados" me fez, inúmeras vezes, ficar grudado na tela da tevê nas manhãs dos dias de semana. Aquele homem cantando "Um capeta em forma de guri" sempre me deu a sensação de que ser arteiro era bom e não fazia mal a ninguém. Aliás, seria até a obrigação de qualquer garoto saudável aprontar alguma de vez em quando. Proporções míticas nas minhas lembranças infantis, só isso.Pois cresci, o tempo mudou, e Mallandro já passou por poucas e boas.
Desde a acusação de estupro por uma das malandrinhas ao uso de drogas, o verdadeiro problema de Serginho foi um só: a baixa audiência. Mallandro sofreu o que todos os apresentadores de programas infantis dos anos 80 sofreram: uma queda de diálogo com a geração de crianças que crescia e a dificuldade de adequar um discurso à geração vindoura. Angélica, Eliane, Mara Maravilha e Xuxa, assim como Serginho, nunca mais conseguiram encaixar um programa infantil de sucesso. O Mallandro tentou outros públicos e, com suas pegadinhas de péssimo gosto, chegou a ter algum tipo de ibope. No fim, como era de se esperar, a fórmula de pegadinhas se esgotaria e o Serginho voltaria ao limbo. As acusações que se seguiram foram reflexo dessa queda artística. Serginho teria ou não estuprado uma malandrinha? Ele usaria ou não drogas? Talvez essas acusações até prolongaram o nome do Mallandro na mídia, mas não o ajudaram a emplacar qualquer sucesso. No caso da malandrinha, Serginho foi inocentado (e eu acredito que ele tenha ido para a cama com ela, mas possuindo o consentimento da moça) e, quanto às drogas, nunca se provou nada contra ele.
Como disse lá atrás, achei um barato a candidatura do Mallandro, mas isso não quer dizer que eu concorde com ela. Serginho nunca apresentou qualquer indício de projeto para a sociedade como um todo e sequer demonstrou relação alguma de cuidado com o bem público. Ao ver a foto do Mallandro no sítio do TSE, continuei imaginando que ser arteiro é bom e não faz mal a ninguém, desde que isso não interfira na vida pública de uma cidade.Obs: Mallandro não ganhou a eleição. Melhor para a vida pública de São Paulo.